Ibama apreende mais de 100 toneladas de peixe em operação contra pesca ilegal no RS

Fiscalização resultou em multas de R$ 5,1 milhões, apreensão de embarcações e embargo de estaleiros irregulares no litoral gaúcho

8 jun 2026 - 07h58

Uma operação realizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ao longo do mês de maio resultou na apreensão de 104 toneladas de peixes capturados ilegalmente no Rio Grande do Sul. A ação também levou à apreensão de sete embarcações, aplicação de R$ 5,1 milhões em multas e ao embargo de dois estaleiros que construíam barcos sem licença ambiental.

Foto: Comunicação Social do Ibama/Divulgação / Porto Alegre 24 horas

Ao todo, 29 autos de infração foram emitidos contra proprietários de embarcações e empresas do setor pesqueiro. Além disso, cinco barcos tiveram suas permissões de pesca suspensas. A fiscalização teve como foco principal o combate à captura irregular da tainha durante o período reprodutivo da espécie, considerado essencial para a preservação dos estoques pesqueiros.

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As operações foram concentradas na área de proibição da pesca com redes no canal e na desembocadura do estuário da Lagoa dos Patos, região estratégica para a migração das tainhas rumo ao mar para a desova. Segundo o Ibama, a área protegida representa menos de 1% da extensão total do estuário, mantendo mais de 1,5 mil quilômetros quadrados disponíveis para a atividade pesqueira artesanal.

Durante as ações, os agentes encontraram embarcações transportando tainhas com ovas e outras 24 espécies ameaçadas de extinção, entre elas o tubarão-anjo e a miraguaia. Para identificar as irregularidades, foram utilizados drones e até o rebocador de alto-mar Tritão, da Marinha do Brasil.

Segundo o coordenador da operação, Luiz Eduardo Bonilha, a atuação dos órgãos de fiscalização contribuiu para reduzir a pesca ilegal nas áreas monitoradas, permitindo que os cardumes de tainha completassem seu ciclo reprodutivo. Conforme o Ibama, os principais beneficiados são os pescadores artesanais que dependem da preservação da espécie para garantir a continuidade da atividade econômica.

A fiscalização contou ainda com a participação da Polícia Federal, Receita Federal, Marinha, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Grupamento Ambiental da Brigada Militar. Em uma segunda etapa, as operações foram ampliadas para o Rio Mampituba, na divisa entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina, além dos municípios catarinenses de Laguna e Imbituba.

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