Guerra agrava escassez de medicamentos no Irã

27 mai 2026 - 16h45

Em meio ao frágil cessar-fogo com os EUA e Israel, iranianos enfrentam dificuldades para encontrar medicamentos essenciais devido a interrupções nas importações e restrições aos sistemas de pagamento.Sanções, volatilidade cambial e a pressão constante sobre as seguradoras dificultam há anos o acesso a tratamentos médicos no Irã.

No Irã, remédios comuns como a insulina se tornam extremamente caros ou escassos
No Irã, remédios comuns como a insulina se tornam extremamente caros ou escassos
Foto: DW / Deutsche Welle

Agora, a guerra travada pelos Estados Unidos e Israel contra o país parece ter agravado a situação, com a interrupção das rotas de abastecimento regionais, danos causados a partes da infraestrutura de saúde e uma pressão ainda maior sobre um mercado farmacêutico já fragilizado.

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Os resultados afetam o cotidiano de muitos iranianos, desde pacientes que procuram medicamentos em diversas farmácias até médicos que veem pessoas abandonando prescrições que não conseguem mais pagar.

Cadeias de suprimentos e sanções

Para um país como o Irã, que depende de matérias-primas importadas e medicamentos estrangeiros para complementar seu sistema farmacêutico, atrasos e custos de transporte mais elevados levam rapidamente à escassez interna e ao aumento de preços.

O transporte, no entanto, é apenas parte do problema. Mesmo quando os medicamentos são tecnicamente isentos de sanções, as restrições bancárias e de pagamento podem tornar a aquisição lenta, complicada e cara.

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Esse gargalo financeiro afeta o setor farmacêutico do Irã há anos e, em tempos de guerra, torna-se ainda mais prejudicial. Questões como aumento de preços, interrupção das cadeias de suprimentos, infraestrutura danificada e redução do poder de compra acabam por se reforçar mutuamente.

Autoridades iranianas tentaram transmitir calma, argumentando que as reservas estratégicas e a produção interna impediram um colapso total. Mas o cenário descrito por pacientes, médicos e representantes da indústria é mais preocupante.

Hadi Ahmadi, porta-voz da Associação Iraniana de Farmacêuticos, alertou que a guerra pode aprofundar a escassez de materiais necessários para a produção farmacêutica, incluindo alumínio e insumos petroquímicos.

Mesmo onde ainda há estoque de medicamentos, a produção futura pode se tornar mais difícil se as matérias-primas industriais e os materiais de embalagem se tornarem escassos.

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Alguns pacientes já estão desistindo

O impacto já é visível em clínicas e farmácias. Um clínico geral no Irã relatou à DW que alguns medicamentos praticamente desapareceram desde o início da guerra, enquanto outros parecem estar disponíveis apenas intermitentemente ou a preços muito inflacionados. Um cardiologista disse que os preços subiram tanto que alguns pacientes simplesmente pararam de comprar os medicamentos de que precisam.

Um de seus pacientes relatou que uma farmácia chegou a guardar o medicamento antiplaquetário Osvix em um cofre. Segundo disse, remédios que antes eram escassos agora estão tecnicamente disponíveis, mas a preços tão altos que muitas pessoas não conseguem comprá-los.

Esses podem ser relatos individuais, mas juntos refletem um padrão mais amplo. A crise não se limita mais a medicamentos raros ou altamente especializados, ela também começa a afetar os tratamentos de rotina.

Pessoas em busca de tratamento

Um parente de um paciente idoso com diabetes na cidade de Rasht, no norte do país, contou que a insulina estava sendo racionada e vendida com um acréscimo de seis vezes em relação à semana anterior.

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Outro paciente que precisa de medicação diária para uma doença crônica disse à DW que só tinha remédio suficiente para 18 dias. "Há seis semanas, tenho procurado farmácias, indo de uma a outra, na esperança de encontrar o medicamento, e toda vez ouço a mesma resposta: 'não temos'."

"Eu só preciso de um remédio, e isso já tem me causado muito estresse. Não consigo imaginar o que as pessoas passam se precisarem de vários medicamentos, ou se convivem com doenças graves ou incuráveis."

Alguns pacientes agora usam redes sociais e grupos de mensagens privadas para avisar uns aos outros quando uma farmácia ainda tem um determinado medicamento em estoque.

Antes da guerra, algumas famílias dependiam de familiares no exterior para enviar medicamentos de países vizinhos ou da Europa por meio de redes informais. Agora, com restrições mais rígidas e canais de comunicação mais fracos, até mesmo essas opções alternativas parecem estar se esgotando.

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