O advogado Felipe Carmona afirmou, em entrevista ao programa Raio X nesta terça-feira (5), que a atuação de juízes exige decisões técnicas que nem sempre correspondem a convicções pessoais. Ao comentar a rotina do Judiciário, ele comparou a função à de um árbitro em partidas decisivas, destacando que o magistrado precisa se basear nos autos e na legislação, mesmo quando o resultado contraria sentimentos individuais.
Durante a entrevista, Carmona também abordou temas ligados ao mercado de trabalho, como a escala 6×1, que classificou como prejudicial aos trabalhadores. Segundo ele, a discussão sobre a redução da jornada está ligada a uma histórica reivindicação por melhores condições de trabalho e respeito aos períodos de descanso, tema que tem ganhado espaço no debate público nos últimos anos.
O advogado ainda criticou a ausência de avanços em direitos para trabalhadores de plataformas digitais, afirmando que, até o momento, não houve regulamentação efetiva no país. Ele citou como exemplo práticas adotadas por empresas como a Uber, que, segundo ele, podem resultar no desligamento de motoristas mesmo em situações em que o profissional não tenha envolvimento direto em irregularidades.
Por fim, Carmona também questionou o modelo de contratação por pessoa jurídica, conhecido como "pejotização". Para ele, o formato tende a beneficiar empregadores, ao reduzir encargos trabalhistas, enquanto deixa o trabalhador sem garantias como FGTS e previdência. As declarações reforçam críticas recorrentes sobre a flexibilização das relações de trabalho no Brasil.