EUA retiram sanções contra presidente interina da Venezuela

2 abr 2026 - 10h31

Medida vem como reconhecimento de Delcy Rodríguez como autoridade legítima, em meio a retomada de relações bilaterais. Ex-vice de Maduro lidera cooperação para abertura ao capital privado.Os Estados Unidos retiraram na quarta-feira (01/04) as sanções contra a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, segundo um registro no site do Departamento do Tesouro americano.

A medida vem como o mais recente reconhecimento, por parte dos EUA, de Rodríguez como autoridade legítima na Venezuela. Em janeiro, forças militares americanas capturaram seu antecessor, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, em Caracas, e os levaram para Nova York.

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Com o alívio das sanções, Rodríguez poderá trabalhar com mais liberdade com empresas e investidores dos EUA. Sem mencionar explicitamente as sanções direcionadas a ela, a presidente interina expressou esperança quanto às relações entre EUA e Venezuela.

"Valorizamos a decisão do presidente Donald Trump como um passo rumo à normalização e ao fortalecimento das relações entre nossos países", disse ela em seu canal no Telegram, após o anúncio do Tesouro. "Confiamos que esse progresso permitirá a suspensão das sanções atuais contra nosso país, possibilitando-nos construir e garantir uma agenda efetiva de cooperação bilateral em benefício do nosso povo."

Sanções desde 2018

A atual presidente interina e seu irmão, Jorge Rodríguez, foram alvo de sanções dos EUA durante o primeiro mandato de Trump por seu suposto papel em minar a democracia venezuelana.

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Os dois foram incluídos na lista do Tesouro em setembro de 2018. Meses antes, Maduro saíra vitorioso de uma eleição amplamente apontada como fraudulenta, uma vez que políticos e partidos de oposição foram impedidos de participar.

"Maduro deu a Delcy Eloina Rodríguez Gomez e Jorge Jesus Rodríguez Gomez cargos de alto escalão no governo venezuelano para ajudá-lo a manter o poder e consolidar seu regime autoritário", disse o Tesouro em um comunicado na época.

Desde a captura de Maduro, a presidente interina tem liderado a cooperação com o plano escalonado do governo americano para abrir a Venezuela ao capital privado.

Desbloqueio do petróleo

Os EUA também já suspenderam sanções sobre importantes setores da indústria venezuelana. Em março, o Tesouro emitiu uma autorização ampla permitindo que a estatal Petróleos de Venezuela S.A., ou PDVSA, vendesse diretamente petróleo venezuelano para empresas dos EUA e nos mercados globais.

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Foi uma mudança drástica, depois de anos de bloqueio contra negociações com o governo venezuelano ou o seu setor petrolífero.

Juridicamente, Maduro continua sendo o presidente da Venezuela. Nas horas que se seguiram à operação de 3 de janeiro, a Suprema Corte venezuelana, leal ao partido governista, declarou a ausência "temporária" do presidente. Eliminou-se, na prática, a necessidade de eleição rápida, preservando as proteções que o cargo lhe confere sob o direito internacional.

A corte ordenou ainda que Rodríguez assumisse o cargo por até 90 dias, com possibilidade de prorrogação para seis meses se aprovada pela Assembleia Nacional, que também é controlada pelo partido governista e presidida por seu irmão. O período de 90 dias termina nesta sexta-feira (03/04).

ht/ra (AP)

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