EUA condenam Brasil e exaltam El Salvador em novo relatório de direitos humanos

12 ago 2025 - 17h45

Os Estados Unidos divulgaram, nesta terça-feira (12), um relatório anual sobre direitos humanos que destaca aliados e aponta rivais. O documento, adaptado à agenda do presidente Donald Trump, elogia países como El Salvador e faz críticas duras ao Brasil.

Relatório dos EUA elogia El Salvador e critica Brasil, destacando retrocessos em direitos humanos
Relatório dos EUA elogia El Salvador e critica Brasil, destacando retrocessos em direitos humanos
Foto: Canva Fotos / Perfil Brasil

O levantamento é elaborado todos os anos pelo Departamento de Estado e, em 2024, sofreu alterações nas partes herdadas do governo do ex-presidente Joe Biden, especialmente em temas como diversidade e aborto. No campo da política externa, a avaliação também seguiu a linha da atual gestão, reforçando a pressão sobre nações com relações tensas com Washington, como o Brasil e a África do Sul.

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Brasil na mira dos EUA

"A situação dos direitos humanos no Brasil se deteriorou" em 2024, registra o texto, publicado poucos dias depois de tarifas de 50% serem impostas ao país. A medida foi justificada como resposta a uma "caça às bruxas" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), processado por suposta tentativa de golpe em 2022.

Segundo o relatório, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) da Silva "minou o debate democrático" e reprimiu "de maneira desproporcional a expressão dos apoiadores" de Bolsonaro, além de jornalistas e políticos. O documento, exigido anualmente pelo Congresso, também aponta que os tribunais brasileiros, após sanção ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), adotaram medidas "desproporcionais para minar a liberdade de expressão" na internet.

Washington também incluiu Venezuela e Nicarágua entre os países latino-americanos com piora no cenário de direitos humanos. Sobre Cuba, afirma não haver "mudanças significativas", ecoando críticas do chefe da diplomacia Marco Rubio.

A posição dos EUA sobre a Europa e aliados

O relatório também critica aliados históricos na Europa, como Reino Unido, Alemanha e França, alegando retrocessos na liberdade de expressão. Espanha não apresentou alterações significativas nesse aspecto.

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O vice-presidente JD Vance chamou a atenção em Munique, em fevereiro, ao afirmar que a liberdade de expressão está "retrocedendo" no continente, em especial na Alemanha.

No sentido oposto, Trump exaltou a gestão do presidente salvadorenho Nayib Bukele, considerado parceiro estratégico contra a imigração ilegal. O texto afirma: "Não houve relatos confiáveis de abusos significativos de direitos humanos" no país e que "os relatos de violência de gangues permaneceram em um mínimo histórico sob o estado de exceção" graças às "detenções em massa".

Entretanto, organizações como a Human Rights Watch e o Socorro Jurídico Humanitário contestam essa visão, denunciando casos de tortura, desaparecimentos e mortes de detentos no país. Há também relatos de imigrantes, entre eles venezuelanos acusados de integrar a gangue Tren de Aragua, que narraram más condições e agressões no Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot).

Israel, outro aliado próximo, recebeu observações mais brandas. Washington reconhece violações, mas afirma que as autoridades locais tomaram "medidas confiáveis" para responsabilizar os autores. Senadores democratas alertaram que mudanças como essas podem comprometer a credibilidade dos Estados Unidos.

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