O presidente dos Estados Unidos Donald Trump, viajará para um centro de testes da General Motors em no Estado de Michigan nesta segunda-feira para promover suas políticas comerciais e industriais, buscando redirecionar a atenção para a economia mesmo com o conflito crescente com o Irã afetando as perspectivas políticas e alimentando preocupações com a inflação.
A menos de 100 dias das eleições de meio de mandato nos EUA, Trump espera mudar o rumo do debate político após meses dominados pelo conflito com o Irã.
Embora a Casa Branca planeje destacar o que considera um renascimento do setor manufatureiro marcado por novos investimentos em fábricas e pela criação de empregos, o panorama econômico mais amplo continua misto, com preços mais altos da gasolina, inflação persistente e um crescente mal-estar da população em relação à crise no Oriente Médio, o que ameaça minar o apoio dos eleitores.
Os eleitores de Michigan estão cada vez mais céticos em relação à forma como Trump lida com a economia e o comércio, segundo Bernie Porn, presidente e pesquisador da Epic MRA. O índice de aprovação de Trump no Estado caiu para 33%, com 61% de desaprovação, enquanto a maioria dos eleitores afirma que são os consumidores — e não os países estrangeiros — que estão arcando com o custo das tarifas.
"Ele tem um problema sério conforme as eleições de meio de mandato se aproximam, porque as pessoas não acreditam nele e acham que ele não está dizendo a verdade", disse Porn sobre os problemas de Trump em Michigan, onde a Epic MRA está sediada.
A porta-voz da Casa Branca, Liz Huston, afirmou que a agenda "America First" do presidente levou as montadoras a investir, contratar e expandir, descrevendo esse ritmo de crescimento como "algo que não se via há décadas".
Ela acrescentou que Trump está "cumprindo sua promessa de levar a indústria de volta para os Estados Unidos e reconstruir o setor automotivo".
Trump e os republicanos detêm uma vantagem considerável na arrecadação de fundos, impulsionada pelo forte apoio de doadores e pela infraestrutura de campanha, mas as pesquisas mostram que os democratas levam vantagem no entusiasmo e na motivação dos eleitores. Essa diferença pode se revelar significativa nas eleições de meio de mandato, nas quais a participação eleitoral costuma determinar o resultado.
Trump derrotou a ex-vice-presidente Kamala Harris por cerca de 1,4 ponto percentual em Michigan em 2024, devolvendo o Estado aos republicanos depois que Joe Biden o conquistou em 2020.
Michigan será um campo de batalha crucial na disputa pelo controle do Congresso, com uma vaga em aberto no Senado atraindo a atenção nacional. Os eleitores republicanos e democratas do Estado escolherão seus candidatos nas primárias de agosto.
A disputa pelo Senado testará se a força de Trump entre os eleitores da classe trabalhadora pode se traduzir em ganhos políticos mais amplos. Os republicanos estão se unindo em torno do ex-deputado federal Mike Rogers, enquanto os democratas disputam uma primária acirrada com a deputada federal Haley Stevens e dois senadores estaduais, Mallory McMorrow e Abdul El-Sayed.