Lula acusou Flávio Bolsonaro de defender milicianos durante debate, com base em investigações do MP-RJ que apontam relações do senador com milícias, incluindo nomeações, repasses financeiros e homenagens, enquanto Flávio nega envolvimento e alega perseguição política.
No debate eleitoral desta sexta-feira (23), o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que seu adversário político, Flávio Bolsonaro (PL), é um defensor de miliciano. A fala está ligada a supostas relações entre o senador e milicianos.
A seguir, entenda o que há por trás do suposto envovimento de Flávio com as milícias.
Vínculos de Funcionários e Nomeações no Gabinete
O principal ponto de ligação investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) no caso do esquema de "rachadinha" (peculato) na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) envolveu a contratação de parentes de integrantes de milícias:
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Adriano Magalhães da Nóbrega (Capitão Adriano): Ex-policial militar apontado como um dos chefes do grupo paramilitar conhecido como "Escritório do Crime". A mãe de Adriano (Raimunda Veras Magalhães) e sua ex-esposa (Danielle Mendonça da Costa) estiveram nomeadas no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj entre 2007 e 2018.
- Repasses Financeiros: Investigadores do MP-RJ identificaram que parte dos salários recebidos por elas passava por Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio, alimentando as movimentações financeiras atípicas investigadas no esquema.
Suspeita de Financiamento de Empreendimentos Imobiliários
Em relatórios de investigação da Operação Furna da Onça, o MP-RJ apontou indícios de que recursos oriundos do esquema de desvio de salários no gabinete de Flávio Bolsonaro poderiam ter sido usados para financiar a construção ilegal de prédios erguidos por milicianos na região da Muzema e Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio.
Homenagens e HonrariasEmbora não constitua crime por si só, a proximidade política também foi objeto de apuração pública e política:Enquanto deputado estadual, Flávio Bolsonaro concedeu a Medalha Tiradentes (maior honraria da Alerj) ao Capitão Adriano em 2005, além de ter empregado seus familiares.
Na época, Flávio defendeu publicamente a atuação do policial em diversas ocasiões na Alerj.
Posição da Defesa
Flávio Bolsonaro nega qualquer envolvimento ou cumplicidade com atividades milicianas: Afirma que a indicação e contratação dos funcionários no gabinete eram de responsabilidade de seu ex-assessor Fabrício Queiroz, e que ele não tinha conhecimento de eventuais vínculos com contravenções ou milícias na época.
Ele classifica as acusações e investigações como perseguição política.