Opinião: Globo tira Lula da zona de conforto e faz sabatina tensa mirando escândalos

Renata Vasconcellos pressiona presidente e obriga petista a falar de todas as polêmicas

27 ago 2026 - 21h53
Lula encara sabatina da Globo
Lula encara sabatina da Globo
Foto: Reprodução/Globo

Quem esperava uma sabatina focada no balanço de gestão ou em propostas para um eventual novo mandato assistiu a uma batalha na Globo. Do primeiro minuto até a metade da entrevista, César Tralli e Renata Vasconcellos transformaram a bancada da sabatina em um ambiente de cobranças, mirado em escândalos que rondam o entorno de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 

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As quatro primeiras perguntas da dupla foram em direção ao mesmo alvo: Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha. Enquanto os apresentadores pressionavam sobre investigações e repercussões, o candidato à reeleição respondia resgatando a memória da Operação Lava Jato. Quando a pauta parecia caminhar para o futuro, o foco mudou para as suspeitas envolvendo Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente, e as apurações no INSS. Foram mais de dez minutos ininterruptos dedicados exclusivamente aos escândalos.

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A insistência no tema elevou a temperatura do estúdio e fez o clima azedar perto da metade da transmissão. Lula não se acuou e cobrou publicamente que a imprensa fizesse um "pedido de desculpas" pela cobertura dos anos da Lava Jato. A reação de Renata Vasconcellos veio no ato, em defesa da emissora: 

“O jornalismo da Globo cumpriu a obrigação de noticiar os fatos durante essa cobertura.” 

Prontamente, Lula usou a brecha para contra-atacar a Globo e relembrou o polêmico e recente episódio do gráfico em estilo PowerPoint exibido pela GloboNews, que associara erroneamente o presidente ao empresário Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master. A estocada obrigou César Tralli intervir imediatamente para pontuar que o Grupo Globo reconheceu o erro e pediu desculpas publicamente pelo equívoco. 

O desgaste acumulado na primeira metade do programa resultou na frase que melhor definiu o espírito do encontro. Quando Renata finalmente mudou de chave para questionar sobre metas econômicas e o plano de governo para os anos seguintes, o candidato soltou o deboche velado:

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“Estava parecendo que eu estava no Ministério Público.”

No fim das contas, para quem esperava uma emissora complacente com o atual mandatário, Renata Vasconcellos se provou, mais uma vez, o melhor e mais preparado nome do jornalismo da TV aberta para pressionar políticos de qualquer espectro e tirá-los sumariamente da zona de conforto. 

Fonte: Portal Terra
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