Repórteres argentinos que vieram ao Brasil exclusivamente para acompanhar a eleição deste domingo, 25, relataram ao Terra preocupação com o futuro do País diante da possibilidade de Flávio Bolsonaro (PL) chegar à Presidência e adotar medidas semelhantes às do presidente argentino, Javier Milei. Os jornalistas afirmam que a situação econômica e social da Argentina sob o atual governo é motivo de apreensão e temem que os brasileiros enfrentem uma realidade parecida caso o senador seja eleito e coloque em prática propostas inspiradas no aliado.
Em conversa com o Terra no Hotel Intercontinental, no Jardim Paulista, em São Paulo, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acompanha a apuração, jornalistas de veículos da Argentina afirmam que a ganha relevância porque Flávio tem citado publicamente o governo argentino como referência para suas propostas econômicas. Entre as medidas defendidas pelo senador está o chamado “tesouraço”, que prevê cortes de gastos públicos, redução da máquina estatal e diminuição de impostos e da burocracia, em uma estratégia inspirada na motosserra popularizada por Milei.
Os jornalistas argentinos disseram ao Terra que já estiveram no Brasil para cobrir a eleição de 2022, mas que o cenário atual desperta uma preocupação adicional. Além do receio de que políticas econômicas semelhantes às de Milei sejam adotadas no Brasil, eles mencionaram os atos golpistas registrados após a derrota de Jair Bolsonaro (PL) naquele pleito e as possíveis consequências políticas de um eventual governo Flávio.
A relação entre os dois políticos se estreitou ainda mais ao longo da campanha de Flávio. Em junho, após se reunir com Milei em Buenos Aires, Flávio chamou o presidente argentino de “um exemplo para o mundo” e escreveu que esperava que a “maré azul” — referência ao avanço de governos de direita na região — chegasse ao Brasil.
Na mesma publicação, o senador indicou medidas que pretende adotar caso seja eleito. “Se na Argentina teve motosserra, no Brasil terá tesouraço nos impostos, na burocracia e na corrupção”, escreveu Flávio.
Em 25 de julho, Milei esteve em São Paulo para participar da convenção nacional do PL que oficializou a candidatura de Flávio à Presidência. Durante o discurso, o argentino declarou confiar no senador e afirmou que ele seria capaz de promover uma mudança política no Brasil. Também criticou Lula e associou o governo petista ao socialismo.
O apoio foi reiterado em outubro, quando Milei parabenizou Flávio pelo resultado do primeiro turno e afirmou esperar que os dois países pudessem trabalhar juntos. Em publicação nas redes sociais, o presidente argentino escreveu: “Espero que em breve possamos começar a trabalhar juntos para que Argentina e Brasil continuem sendo grandes parceiros comerciais, culturais e políticos”.