Após a derrota de Flávio Bolsonaro para Lula em 2026, a família Bolsonaro perde força política direta com Jair preso e os filhos sem mandatos, restando apenas Michelle no Senado. Apesar do crescimento do PL, o clã precisará recalcular sua influência e disputar a liderança da direita com figuras em ascensão, principalmente o governador Tarcísio de Freitas, favorito do mercado e do Centrão para as próximas eleições, além da crescente projeção de aliados jovens como Nikolas Ferreira no Congresso.
BRASÍLIA - A família Bolsonaro sai deste domingo, 25, com a segunda derrota consecutiva no pleito presidencial para seu principal adversário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Agora, terá de recalcular sua influência dentro da direita e disputar espaço com nomes como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).
Em 2022, Jair Bolsonaro (PL) foi derrotado por Lula por uma diferença de 2,1 milhões de votos. Em 2026, seu filho, Flávio Bolsonaro (PL) perdeu para o petista por 4,4 milhões de votos.
O resultado vai na contramão da onda bolsonarista registrada desde 2018 e que teve seu ápice nas eleições deste ano. Só o PL, por exemplo, fez 121 deputados federais e 19 senadores, além de 16 governadores.
Catalisadora desse crescimento, a família Bolsonaro terá o desafio de manter relevância num cenário em que Jair Bolsonaro deve permanecer preso e no qual Flávio Bolsonaro ficará sem cargo eletivo - seu mandato como senador termina em 31 de janeiro de 2027. Também há o fato de o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) seguir nos Estados Unidos, também sem mandato.
Tudo em uma conjuntura em que nomes da direita se multiplicam no Congresso e ganham terreno tanto nas redes sociais como no apadrinhamento de aliados eleitos, como é o caso de Nikolas Ferreira.
Pelas regras atuais, Nikolas poderia concorrer ao Palácio do Planalto apenas em 2034, mas já mencionou a possibilidade de se candidatar em 2031, caso haja uma mudança constitucional para que os mandatos presidenciais passem a durar cinco anos.
A preço de hoje, porém, a principal aposta é um apoio da direita a Tarcísio de Freitas, que já era o nome do Centrão e do mercado financeiro para 2026, mas preferiu ceder espaço para Flávio.
Tarcísio, inclusive, recebeu sinalizações do "01" de que contaria com seu apoio daqui a quatro anos: "Sem dúvida alguma, o Tarcísio é um dos grandes quadros que nós temos na centro-direita", disse o senador em setembro, ao ser perguntado sobre a próxima disputa.
Aliados bolsonaristas duvidam, no entanto, que Jair Bolsonaro abriria espaço para um nome de fora da família, por temor de perda de poder.
Michelle como carta da direita
Apesar de Jair, Flávio e Eduardo Bolsonaro estarem sem cargos eletivos, uma integrante da família estará na tribuna: Michelle Bolsonaro, que se elegeu senadora pelo Distrito Federal e assumirá mandato em fevereiro.
A ex-primeira-dama chegou a ser cotada como vice numa chapa chefiada por Tarcísio, o que não ocorreu.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse que Jair Bolsonaro não queria que Michelle disputasse um posto no Poder Executivo antes de adquirir experiência com cargo público. "Bolsonaro não quer Michelle em cargo executivo até ter um mandato para adquirir mais experiência, falou para mim no passado", declarou em julho.
Valdemar disse que, há alguns anos, sugeriu a Bolsonaro que Michelle pudesse ser candidata ao governo do Distrito Federal, mas que o ex-presidente teria discordado. "De vice, ela poderia até sair, na minha opinião. Não sei na de Bolsonaro. De vice. Se fosse o Tarcísio, seria a chapa ideal, o pessoal falava. Entendeu que tinha de ser o Flávio", afirmou.