Com a proximidade das votações, as pesquisas de intenção de voto ganham destaque no debate público. Ao contrário do que o senso comum sugere, o objetivo dos levantamentos não é prever o resultado das urnas, mas sim tirar uma "fotografia" do cenário no momento em que as entrevistas são realizadas.
Para entender a opinião de milhões de eleitores, os institutos não precisam ouvir toda a população. Eles utilizam um método chamado amostragem aleatória estratificada. Especialistas comparam o processo a um exame de sangue ou ao preparo de um risoto: se a amostra estiver bem "misturada" e contiver as proporções corretas de todos os elementos, uma pequena quantidade é suficiente para indicar o estado do todo.
Como a amostra é definida
Para que um grupo de cerca de 2 mil pessoas represente fielmente o eleitorado, a amostra precisa reproduzir as características da população. Os institutos utilizam dados oficiais para definir cotas proporcionais de gênero, faixa etária, nível de escolaridade, renda e região geográfica.
Se as mulheres representam 53% do eleitorado brasileiro, por exemplo, a amostra da pesquisa deve ter a mesma proporção de mulheres entrevistadas. A escolha das pessoas dentro desses perfis, no entanto, deve ser aleatória para evitar vieses.
Tipos de entrevistas e questionários
No Brasil, as abordagens mais comuns são as presenciais e por telefone. Institutos como o Datafolha costumam entrevistar eleitores em pontos de fluxo nas ruas, enquanto o Ipec (ex-Ibope) realiza as pesquisas nos domicílios, baseando-se em setores censitários. Já empresas como o PoderData e o Ipespe optam por ligações telefônicas, com números selecionados aleatoriamente.
Durante a entrevista, as perguntas podem ser feitas de duas formas. Na pesquisa espontânea, o eleitor diz em quem vai votar sem que nenhuma opção seja apresentada. Na pesquisa estimulada, o entrevistador mostra uma lista com os nomes dos candidatos, simulando o que o eleitor encontrará na urna eletrônica.
Margem de erro e nível de confiança
Como é impossível garantir uma precisão absoluta ao entrevistar apenas uma parcela da população, toda pesquisa possui uma margem de erro. Trata-se de uma faixa de tolerância, calculada matematicamente, que indica o quanto os resultados podem variar para cima ou para baixo.
Junto à margem de erro, há o nível de confiança. A maioria dos institutos tradicionais trabalha com um nível de 95%, o que significa que, se a mesma pesquisa fosse repetida 100 vezes, em 95 delas o resultado estaria dentro da margem de erro estipulada.
Regras, custos e registro no TSE
A Lei das Eleições (nº 9.504/1997) determina que qualquer pesquisa eleitoral deve ser registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até cinco dias antes de sua divulgação. O registro deve conter informações detalhadas sobre a metodologia, o estatístico responsável, quem contratou o levantamento e a origem dos recursos.
O custo de uma pesquisa varia conforme o tamanho da amostra e o método utilizado. Levantamentos presenciais costumam ser mais caros. Em eleições municipais, os valores podem ir de R$ 8 mil em cidades menores a quase R$ 100 mil em capitais como São Paulo. Em disputas presidenciais, os custos já variaram de R$ 20 mil a R$ 400 mil.
A Justiça Eleitoral não faz controle prévio nem aprova os resultados das pesquisas, mas a divulgação de levantamentos fraudulentos é crime eleitoral, punível com multa e detenção de seis meses a um ano.