Eleições no Peru: Fujimori abre vantagem irreversível; Sánchez não reconhece resultado e denuncia 'fraude'

Coalizão de esquerda Juntos por el Perú aponta irregularidades no processo eleitoral e se recusa a reconhecer liderança matemática de Keiko Fujimori

24 jun 2026 - 11h16

A tensão política atinge um novo pico no Peru após a contagem de votos indicar um cenário definitivo. A coalizão Juntos por el Perú declarou publicamente que não aceitará os números finais do segundo turno. Esse grupo reúne forças de centro-esquerda, progressistas e nacionalistas. O posicionamento ocorre no momento em que a candidata de direita Keiko Fujimori consolidou uma vantagem estatística na disputa pela presidência.

A candidata presidencial Keiko Fujimori cumprimenta seus apoiadores durante um comício de campanha antes do segundo turno das eleições presidenciais no Peru, em 4 de junho de 2026
A candidata presidencial Keiko Fujimori cumprimenta seus apoiadores durante um comício de campanha antes do segundo turno das eleições presidenciais no Peru, em 4 de junho de 2026
Foto: Getty Images / Perfil Brasil

Os integrantes da aliança de esquerda manifestaram forte insatisfação com a condução do pleito. O grupo divulgou uma nota oficial detalhando os motivos da rejeição. No comunicado, a organização afirmou: "Denunciamos a falta de transparência dos órgãos que conduzem o processo eleitoral, a mudança das regras eleitorais no meio do processo, uma série de irregularidades, motivos para anulação e manobras político-midiáticas que ameaçam a justiça eleitoral e a vontade soberana do povo peruano."

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Contestação dos votos no exterior

O líder da coalizão de oposição e candidato Roberto Sánchez assumiu uma postura rígida em seus canais de comunicação. Ele utilizou as redes sociais para reforçar o boicote ao resultado oficial. Em sua declaração, o político foi enfático ao dizer: "Não reconheceremos esse governo." O questionamento central gira em torno de supostas modificações nas regras promovidas pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais.

De acordo com as acusações de Roberto Sánchez, uma resolução editada no dia 29 de maio alterou o protocolo de envio das atas eleitorais pelos consulados. O formato digitalizado anterior deixou de ser obrigatório, o que teria prejudicado a fiscalização dos votos vindos de fora do país. O candidato defende a anulação das urnas nos consulados referentes ao dia 7 de junho. O político direcionou o apelo ao órgão máximo eleitoral: "A entidade incumbida de interromper essa fraude em curso e impedir que ela se torne consumada é a JNE (Conselho Nacional Eleitoral). Portanto, solicitamos que corrija essa transgressão contra o sistema eleitoral e a democracia."

Margem matemática define o resultado

Os dados consolidados pela apuração oficial mostram Keiko Fujimori na liderança com 50,11% dos votos válidos. A última atualização indicou que a candidata da direita obteve 9.206.241 votos. O candidato Roberto Sánchez aparece logo atrás com 49,82% da preferência do eleitorado, somando 9.162.855 votos. A diferença atual entre os dois concorrentes é de aproximadamente 43 mil votos.

O Escritório Nacional de Processos Eleitorais informou que restam poucas cédulas para contabilizar. Faltam apurar apenas 40.213 votos, um montante inferior à distância que separa os candidatos. Desse modo, o resultado aponta para a vitória da candidata conservadora. Além da presidência, o grupo aliado de Keiko Fujimori garantiu 41 cadeiras no parlamento, enquanto o grupo de Roberto Sánchez assegurou 32 vagas, conforme dados coletados pelo jornal La República. O congresso nacional terá 130 representantes divididos entre seis siglas políticas.

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Instabilidade política histórica no país

O cenário de polarização reflete um histórico recente de severa crise institucional em território peruano. O país enfrentou uma rotatividade intensa no poder executivo, acumulando nove presidentes em um intervalo de dez anos. Esse ciclo começou logo após o término da gestão de Ollanta Humala em 2016. Mesmo concluindo o mandato, ele enfrentava baixa aprovação popular, o que abriu espaço para o fortalecimento do poder parlamentar.

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