Coligação de Lula aciona o TSE contra uso de criptomoedas em troca de propagandas para Flávio Bolsonaro

Ação enviada ao Tribunal afirma que um token foi criado para incentivar e recompensar eleitores pelo voto no candidato do PL no 2º turno

8 out 2026 - 18h31
(atualizado às 18h58)
Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidência, em entrevista coletiva
Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidência, em entrevista coletiva
Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO/ESTADÃO CONTEÚDO / Estadão

A coligação Brasil Pronto pra Mais, que apoia o presidente Lula na disputa do segundo turno, publicou um comunicado na tarde desta quinta-feira, 8, afirmando que acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por identificar o uso de uma criptomoeda como meio de incentivo e recompensa para eleitores que votarem em Flávio Bolsonaro (PL).

Segundo o comunicado publicado no site oficial da campanha de Lula, a criptomoeda batizada de Brasil 22 Token (B22) foi criada na noite de quarta-feira, 7. O site do ativo digital, com registro nos Estados Unidos, faz uma propaganda para que as pessoas comprem o token e publiquem nas redes sociais divulgando a plataforma. 

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O site ainda afirma que dará uma recompensa de 30 mil tokens aos mil perfis que divulgarem o perfil e o projeto através das redes sociais. A coligação Brasil Pronto pra Mais solicita que o TSE faça uma investigação sobre supostos crimes eleitorais, como compra de voto, abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação.

O site da B22 também atua em um perfil no Instagram que é identificado como “Brasil Bolsonaro”. A coligação contesta a afirmação da plataforma de que não existe associação dos conteúdos com uma preferência eleitoral.

Propaganda com crianças de Uganda

O documento publicado pela coligação pró-Lula também afirma que identificou uma transferência de 120 milhões de tokens para uma conta associada ao perfil HypersKids, grupo infantil de Uganda que posta vídeos de dança. Segundo a publicação, a conversão da criptomoeda corresponde a pouco mais de R$ 100 mil. 

A documentação apresentada pela Brasil Pronto pra Mais diz que 11 minutos após a trasferência dos ativos digitais para a conta do perfil, um vídeo foi publicado com crianças dançando e usando camisetas com a estampa "B22"

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Na publicação, o perfil HypersKids confirma que recebeu 120 milhões de B22 para divulgar a parceria. Na sequência, o texto diz que o grupo de dançarinos mirins apoia as visões de Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira e Pablo Marçal.

"Recebemos 120 milhões de tokens $B22 por meio dessa parceria! Um movimento que apoia a HypersKids e acredita em um Brasil melhor. Apoiamos a visão de @nikolasferreiradm, @flaviobolsonaro e @pablomarcal1. Junte-se a nós: compre $B22, compartilhe nas suas redes sociais e visite o site para saber como ganhar tokens ao inspirar outras pessoas a votar no 22!", completa o texto.

Remoção de vídeo de Pablo Marçal

A campanha de Lula também pediu a remoção total de um vídeo publicado por Pablo Marçal em seu perfil no Instagram. Segundo a documentação, o vídeo em questão é o recorte de uma ligação entre o governador do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e Lula, feita em 2016.

Segundo o relato, a publicação tem uma montagem com a inversão da ordem de falar do presidente para tentar associar que o candidato do PT chamou evangélicos de "filhos da put*". "

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Após Paes comentar que integrantes do Ministério Público eram religiosos, uma frase de Lula retirada de outro momento da ligação aparece como resposta, seguida da mensagem “Ele não gosta de evangélicos. Na gravação original, porém, Lula se referia aos integrantes do Ministério Público envolvidos nas investigações contra ele, não aos fiéis de qualquer religião", diz a coligação. 

O texto afirma que essa é a quarta represetação feita à ministra do TSE, Estela Aranha, contra algum conteúdo publicado por Pablo Marçal. A coligação diz que não se trata de um vídeo de interpretação política desfavorável, mas sim um conteúdo com manipulação de vídeo com declarações que Lula não deu.

Fonte: Portal Terra
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