Centro-esquerda lidera eleições na Bulgária, diz boca de urna

19 abr 2026 - 15h25

Pesquisas sugerem que partido do ex-presidente Rumen Radev precisará de uma coalizão para formar um governo. País vive impasse político, após oito eleições em cinco anos.Pesquisas de boca de urna sugerem que o partido do ex-presidente Rumen Radev é o provável vencedor das eleições na Bulgária neste domingo (19/04), que muitos esperam que possa pôr fim a um longo impasse político no país.

Radev, de 62 anos, líder do partido recém-formado Bulgária Progressista, prometeu erradicar a corrupção e acabar com uma espiral de governos fracos e de curta duração. Segundo as pesquisas, ele, no entanto, precisará de parceiros de coalizão para formar um governo majoritário.

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A pesquisa de boca de urna realizada pelo instituto Alpha Research, com sede em Sófia, mostrou que o Bulgária Progressista obteve 37,5% dos votos, muito à frente do partido de centro-direita Cidadãos pelo Desenvolvimento Europeu da Bulgária (Gerb), liderado pelo ex-primeiro-ministro Boyko Borissov, que ficou em segundo lugar no levantamento, com 16,2%. Esta foi a oitava eleição em cinco anos no país dos Bálcãs de cerca de 6,5 milhões de habitantes.

Radev renunciou à presidência em janeiro para concorrer à eleição, ocorreu após a renúncia de um governo liderado por conservadores em meio a protestos anticorrupção em todo o país, em dezembro passado. O ex-general da Força Aérea que foi presidente da Bulgária por nove anos prometeu combater o que chama de "modelo de governança oligárquica" no país.

A Bulgária, o Estado-membro mais pobre da União Europeia (UE), está mergulhada em uma crise política desde 2021, após a queda do governo conservador liderado por Borissov, também em meio a manifestações anticorrupção.

Após votar neste domingo, Radev incentivou outras pessoas a fazerem o mesmo, afirmando que o voto em massa era "a única maneira de afogar a compra de votos em um mar de votos livres".

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Durante a campanha, ele defendeu que a Bulgária retome os laços com a Rússia, ao mesmo tempo em que criticou o envio de ajuda militar à Ucrânia. Apesar disso, ele também criticou a invasão russa e prometeu que não usaria o veto de seu país para bloquear a ajuda da União Europeia a Kiev, caso fosse eleito.

Radev também se opõe à política de energia verde da UE, que considera ingênua "em um mundo sem regras".

Borissov rejeita coalizão

Borissov cumpriu três mandatos como primeiro-ministro da Bulgária. Durante a campanha, ele destacou o histórico de seu partido, dizendo que "realizou os sonhos da década de 1990", entre outras coisas, com a entrada da Bulgária na zona do euro este ano.

Ao votar em Bankya, nos arredores de Sófia, neste domingo, Borissov pareceu pouco otimista quanto às perspectivas de seu partido. Ele enfatizou que o Gerb não entrará em nenhuma coalizão de governo. "Não vejo com quem possamos formar uma coalizão", afirmou, segundo a emissora nacional da Bulgária.

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O ex-primeiro-ministro disse que seu partido atuará como oposição construtiva e participará de temas relacionados à geopolítica, como a defesa nacional.

A Bulgária é membro da União Europeia e da Otan, e aderiu à zona do euro em 1º de janeiro, pouco depois de entrar no espaço Schengen, a área de livre circulação entre fronteiras da qual a Alemanha faz parte e que inclui a maioria dos Estados-membros da UE, bem como a Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça.

rc (AFP, DW)

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