Candidatura de Flávio Bolsonaro perde ‘palanque de alto potencial’ com desistência de Cleitinho ao governo de MG, aponta cientista político

Cleitinho, que estava cotado para encabeçar o palanque de Flávio em MG, estado-chave em eleições presidenciais, desistiu nesta segunda, 3

3 ago 2026 - 22h05
(atualizado às 22h22)
Registro de Flávio Bolsonaro e Cleitinho juntos no Senado
Registro de Flávio Bolsonaro e Cleitinho juntos no Senado
Foto: Reprodução/Agência Senado

Cleitinho Azevedo, que estava cotado como o candidato de Flávio Bolsonaro em Minas Gerais, não irá mais disputar as eleições ao cargo de governador no estado. Por mais que ele ainda siga como senador eleito pelo eleitorado mineiro, a movimentação representa uma “perda de um palanque de alto potencial” à candidatura de Flávio à Presidência da República. É o que afirma o cientista político Fabio Andrade em entrevista ao Terra. No caso, Minas Gerais é um estado estratégico para as eleições, sendo o segundo maior colégio eleitoral do país e historicamente decisivo nas disputas presidenciais. 

Era esperado pelo Partido Liberal que Cleitinho encabeçasse o palanque de Flávio junto ao eleitorado mineiro. Sem sua presença como candidato nas eleições, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro perde um forte porta-voz no estado. São Paulo segue como o maior colégio eleitoral do país, com 34.104.226 eleitores e eleitoras (21,48% do total nacional). Em seguida aparecem Minas, com 16.377.659 pessoas aptas a votar (10,32%).

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Além disso, há dois fatores que representam perdas em Minas, aponta Fabio Andrade. O primeiro ponto é que o apoio de Cleitinho a Flávio era pessoal, e que ele não é do Partido Liberal (PL). Nisso, seu partido, o Republicanos, não apoiou formalmente, até o momento, a candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

No último sábado, 1º, na Convenção Partidária Estadual do Republicanos em São Paulo, onde foi oficializada a candidatura de Tarcísio, o presidente da legenda, Marcos Pereira, afirmou que Flávio Bolsonaro, que também estava no evento, é seu candidato ao Planalto “em São Paulo”. 

Já o segundo fator, como explica, é que o eleitor mineiro tem um histórico de não fechar chapas por sangue ou fazer uma correlação perfeita de “voto governador, voto presidente”. “A única combinação que a gente teve, 100%, foi Fernando Pimentel e Dilma [ambos do PT]. Mesmo quando Romeu Zema se elegeu, ele era do Partido Novo, e não do candidato Bolsonaro”.

“Minas é um potencial palanque poderoso. A candidatura de Flávio Bolsonaro ainda é muito forte. Não dá para descartar o peso de uma candidatura que, em [pesquisa eleitoral] espontânea, registra, na pior das hipóteses, 20% e, em cenários mais otimistas, 27%, 28%. Mas é preocupante porque há uma dependência grande da candidatura do Flávio de apoios um tanto quanto regionais”, aponta.

No caso de São Paulo, por exemplo, ele avalia que Flávio vai depender muito de Tarcísio de Freitas, o candidato do Republicanos à reeleição ao governo paulista.

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“O Tarcísio não está mais independente, mas ele construiu uma candidatura e campanha que hoje alça voo próprio. E esse palanque que seria do Cleitinho se arrefece em Minas e pode criar problemas para a candidatura do Flávio”, aponta o especialista, citando, sobretudo, a figura do ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), que tem boa relação histórica com Lula.

Cleitinho desiste de disputar o governo de MG e chora ao anunciar decisão: 'Não estou bem'
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Cleitinho hora ao anunciar decisão: 'Não estou bem'

O anúncio da desistência de Cleitinho ao governo mineiro se deu após reunião em Brasília com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, e o presidente estadual do partido em Minas Gerais, Euclydes Pettersen. Em vídeo publicado nesta segunda-feira, 3, pelo Republicanos, Cleitinho Azevedo confirmou que não será candidato por conta do momento de luto familiar que enfrenta.

No registro, Marcos Pereira fala diretamente com o povo mineiro e explica que a candidatura do senador Cleitinho Azevedo tem sido discutida há muito tempo dentro do partido. "Vai e vem, vai e vem, tomamos a decisão semana passada decorrente de algumas condicionantes que foram dadas a Clientinho", começa.

"Compreendemos, Cleitinho, você sabe disso, você tem toda a minha solidariedade ao falecimento do seu irmão...", continua o presidente do Republicanos. Matheus Azevedo, irmão mais novo do senador, morreu no último dia 18, em Divinópolis (MG), enquanto estava em tratamento contra leucemia.

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"Agora, o Cleitinho não compareceu na convenção [partidária do Republicanos]. Eu pedi para que ele fosse a São Paulo para gravar comigo falando que ele era candidato... Nós demos a oportunidade até terça-feira a noite. Não foi possível o comparecimento muito por conta desse momento de luto e dor que ele está passando", narra os acontecimentos ao lado do senador.

Agora, reunidos em Brasília, Marcos diz que Cleitinho tomou uma decisão espontânea diante do momento que está vivendo. "Quero deixar claro, quero que você confie nisso, que o partido Republicanos deu toda a oportunidade para que pudesse ser candidato. Mas ele [Cleitinho] tem uma decisão pessoal", complementou.

Nesse momento, Cleitinho se emociona e chora ao anunciar sua desistência à corrida eleitoral.

"Quero perdir perdão, porque o momento não está fácil pra mim e pra minha família. Não adianta eu entrar na campanha agora do jeito que eu tô. Como vou querer cuidar de vocês se eu preciso cuidar de mim, da minha família. Tenho que ser honesto com vocês", disse, chorando. "Meu momento hoje não está bem", complementou.

O presidente estadual do partido em Minas Gerais, Euclydes Pettersen, afirmou que o que prevalece é a vontade de Deus e que a decisão de Cleitinho será respeitada. "Às vezes não é o momento", afirmou, também emocionado com a situação.

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Ao Terra, o partido já havia confirmado na última quarta-feira, 29, que ele não seria candidato. O anúncio aconteceu em cenário no qual Cleitinho liderava as pesquisas de intenção de voto para o governo de Minas Gerais. Cleitinho segue seu mandato no Senado Federal.

Fonte: Portal Terra
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