Após Garotinho pedir urgência, TSE recebe processo que pode mudar cenário da eleição ao Governo do RJ

TRE-RJ remeteu o processo sobre o registro de candidatura de Anthony Garotinho ao TSE às 10h37 desta segunda-feira, 5

5 out 2026 - 14h41
(atualizado às 15h16)
Após Garotinho pedir urgência, TSE recebe processo que pode mudar cenário da eleição ao Governo do RJ
Após Garotinho pedir urgência, TSE recebe processo que pode mudar cenário da eleição ao Governo do RJ
Foto: Pedro Kirilos/Estadao / Estadão

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recebeu nesta segunda-feira, 5, o processo sobre o registro de candidatura de Anthony Garotinho (Republicanos) para que o recurso seja analisado. O resultado pode alterar o cenário da eleição para o governo do Rio de Janeiro.

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) remeteu o processo ao TSE às 10h37 de hoje, após a defesa de Garotinho protocolar uma petição pedindo urgência no julgamento da candidatura. À tarde, porém, Garotinho desistiu do recurso.

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O processo no TSE tem como relator o ministro Floriano de Azevedo Marques. Até as 14h desta segunda-feira, o julgamento ainda não tinha sido pautado. 

O que está em discussão no TSE contra Garotinho?

Garotinho teve a candidatura negada pelo TRE-RJ por ausência de condição de elegibilidade e pela existência de causa de inelegibilidade. A decisão está relacionada a uma condenação por ato doloso de improbidade administrativa, com dano ao patrimônio público e enriquecimento ilícito de terceiros. Segundo o TRE-RJ, a condenação determinou a suspensão dos direitos políticos de Garotinho, requisito necessário para disputar uma eleição.

A defesa afirma que os oito anos de suspensão já foram cumpridos desde 1º de agosto de 2026, data em que o julgamento foi encerrado. O tribunal, por outro lado, considera que Garotinho continua com os direitos políticos suspensos até 2033. O TRE-RJ manteve o indeferimento da candidatura de Garotinho em 29 de setembro. Os advogados anunciaram que recorreriam ao TSE.

Mesmo com o registro indeferido, Garotinho pôde continuar na campanha porque a legislação permite que candidatos nessa situação realizem atos eleitorais e permaneçam nas urnas enquanto houver recurso pendente.

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Dois dias antes da eleição, em 2 de outubro, o ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, decidiu derrubar a liminar que permitia a participação de Garotinho, fazendo com que os votos fossem imediatamente colocados como "sub judice", ou seja, nulos.

No domingo, 4, no entanto, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou que os votos de Garotinho continuassem sendo considerados no cálculo dos percentuais até que o colegiado da Corte analise a situação.

Caso pode definir eleição ainda no 1º turno

O impasse com o caso de Garotinho tem impacto direto na disputa pelo governo do Rio de Janeiro. Dependendo do resultado do julgamento, a eleição pode ser definida ainda em primeiro turno, mesmo com nenhum dos dois primeiros colocados tendo conquistado mais de 50% dos votos no último domingo, 4.

Garotinho ficou em terceiro lugar na disputa, com pouco mais de 3% dos votos. A disputa no segundo turno ficou entre Douglas Ruas (PL), com 49,27% dos votos, e Eduardo Paes (PSD), com 42,76%. Caso o TSE decida por manter o indeferimento da candidatura do ex-governador do Rio de Janeiro, seus votos serão anulados e o percentual de Ruas deverá passar de 50% dos votos válidos. 

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"Nesse caso, ele é proclamado eleito e o segundo turno é cancelado. Os votos não migram para Ruas. O que muda é a base de cálculo. Para vencer no primeiro turno, é preciso maioria absoluta dos votos válidos, e voto nulo não é válido. Hoje, os votos de Garotinho estão no denominador; ao serem excluídos, a base encolhe cerca de 3 pontos, e os 49,3% de Ruas passam a valer algo próximo de 50,9%", explica Antonio Carlos de Freitas Jr, doutor em Direito Constitucional pela USP e professor da Fundação Santo André.

O especialista defende que o TSE deverá decidir sobre o tema antes da data marcada para o segundo turno, que está previsto para o dia 25. Conforme ele, caso a questão só seja votada depois, pode se criar um cenário de "grave insegurança jurídica".

"Se Ruas vencer o segundo turno, o problema desaparece. Mas se Paes vencer e o TSE anular os votos de Garotinho depois, teríamos o resultado do primeiro turno em choque com o do segundo, uma disputa que certamente chegaria ao STF. A tendência é que o tribunal julgue antes", diz Freitas Jr.

Fonte: Portal Terra
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