Não se trata apenas de rabiscos. Para crianças, o desenho e a linguagem estão relacionados, auxiliando tanto na memória quanto no desenvolvimento da aprendizagem como um todo. É o que aponta o estudo A relação entre desenho e linguagem em pré-escolares: O papel do trabalho Memória e funções executivas, que avaliou mais de 100 crianças entre 3 e 6 anos.
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A pesquisa, publicada em 2022 pela Universidade de Gênova, Conselho Nacional de Pesquisa e Instituto de Tecnologia Educacional da Itália, explica que a pré-escola, vivida na primeira infância, marca um momento de desenvolvimento dinâmico de representações simbólicas, como desenho e linguagem. E que nesse período não é apenas o vocabulário da criança que se torna mais complexo, mas também a consciência metalinguística – a compreensão para em torno dos sentidos da linguagem.
O estudo concluiu que a correlação entre desenho e linguagem “não se deve a uma influência direta da linguagem no desenho, ou a uma sobreposição de componentes simbólicos ou representacionais”. Mas, sim, “pelos processos gerais de domínio e recursos que sustentam ambos”.
Esses recursos também participam da aprendizagem, como manter informações na mente e organizar respostas. Sendo assim, o ato de desenhar não é apenas uma atividade “neutra”, para ser feita entre “coisas relevantes”. Mas ele, por si, também se mostra fundamental nessa fase do desenvolvimento.
“Nossos resultados suportam um modelo em que, nessa faixa etária, as funções executivas mediam a associação entre a memória de trabalho e os dois sistemas representacionais”, apontam.