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Greve na USP: funcionários decidem continuar paralisação e incluir pautas dos estudantes

Servidores cruzaram os braços no dia 14 após a criação de bônus para professores e avaliaram nesta quarta a contraproposta da reitoria da universidade

22 abr 2026 - 14h16
(atualizado às 14h21)

Os servidores da Universidade de São Paulo (USP) decidiram, em assembleia realizada nesta quarta-feira, 22, pela continuidade da greve que já dura nove dias. Uma reunião com a reitoria da universidade será realizada ainda nesta quarta.

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A greve foi iniciada na terça-feira, 14. Os funcionários reagiram contra um acréscimo de R$ 4.500 no salário mensal de docentes que assumirem projetos considerados estratégicos, como a oferta de disciplinas em inglês e ações de extensão. É a Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (Grace).

Na visão dos servidores, a gratificação exclusiva aos professores fere a isonomia. Eles propõem que o mesmo valor total destinado aos docentes seja dividido entre funcionários, o que resultaria em um reajuste salarial de até R$ 1,6 mil.

A USP decidiu acatar o pleito dos trabalhadores para encerrar a greve e membros do Sindicato dos Trabalhadores da instituição (Sintusp) participaram de uma reunião nesta quarta-feira, 22, para avaliar a contraproposta da reitoria.

Na assembleia, os funcionários decidiram que a negociação com a reitoria precisa incluir, obrigatoriamente, as exigências do movimento estudantil.

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Os estudantes querem melhores condições de permanência, com aumento no valor das bolsas, e cobram melhorias na qualidade dos serviços dos restaurantes universitários.

Pelo menos 15 faculdades e institutos da USP, da capital paulista e no interior, participam da paralisação. O movimento tem apoio do Diretório Central dos Estudantes (DCE).

Cidade Universitária no bairro do Butantã, zona oeste de São Paulo
Cidade Universitária no bairro do Butantã, zona oeste de São Paulo
Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

A Reitoria da USP informou que está previsto investimento de cerca de R$ 461 milhões ao Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), que beneficia quase 16 mil alunos.

Também afirmou que a qualidade dos restaurantes universitários é analisada por nutricionistas e administrativamente. A universidade disse que houve alerta e advertências às empresas responsáveis.

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A reitoria afirmou ainda que realizou reunião com representantes das entidades estudantis e que propôs a criação de grupos de trabalho para tratar das demandas dos alunos.

Gratificação por atividades complementares

Só professores que trabalham em tempo integral na USP — mais de 80% do total — podem pleitear o benefício da Grace.

O salário inicial de um professor doutor em dedicação exclusiva na universidade é de R$ 16,3 mil. O adicional representaria 27% desse total.

A USP tem mais de 5,3 mil professores e aproximadamente 12,6 mil funcionários técnico administrativos, segundo dados de 2024 divulgados pela própria universidade.

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