Oferecimento

Fatou N'Diaye indica 5 livros para entender questões raciais e sociais

A influencer de pautas antirracistas (e agora aluna da Universidade Gettysburg!) se tornou porta-voz do assunto após sofrer preconceito de colegas de classe

14 jul 2023 - 17h32

A família sempre foi fundamental para cultivar o interesse social, político e racial em Fatou N'Diaye. As discussões sobre acontecimentos internacionais e decisões governamentais de impacto direto na sociedade eram parte das conversas na mesa de jantar desde que a menina era pequena.

A jovem influencer foi aprovada com bolsa de estudos integral na Universidade Gettysburg, nos EUA.
A jovem influencer foi aprovada com bolsa de estudos integral na Universidade Gettysburg, nos EUA.
Foto: Fatou N'Diaye/Arquivo pessoal / Guia do Estudante

Por isso, não foi difícil para a menina elaborar o que aconteceu e se pronunciar sobre o racismo que sofreu de alguns colegas de classe ainda durante o Ensino Médio, depois de mensagens enviadas pelo celular, no ano de 2020. A luta antirracista e outras pautas político-sociais já faziam parte da reflexão cotidiana da menina, que acabou saindo da escola. Os colegas não foram punidos.

Publicidade

O episódio não desanimou Fatou, muito pelo contrário: a jovem de origem senegalesa (ambos os pais são nascidos no país africano) se utilizou da força das redes sociais, principalmente do Instagram, para dar voz à discussões importantes e combater a xenofobia e outras formas de intolerância, sejam elas étnicas ou religiosas.

Ainda em 2020, Fatou recebeu uma bolsa de estudos em um colégio que oferecia o programa IBDP - em inglês, Programa Internacional de Diploma de Bacharelado -, uma iniciativa que prepara alunos para estudar em uma universidade no exterior.

Entre 2020 e 2022, a rotina de Fatou foi árdua: ela conciliava os estudos do ensino médio regular com as matérias da grade internacional (que, juntas, somavam doze horas de empenho). Além disso alimentava seu Instagram com conteúdos político-sociais, com a preocupação de serem os mais completos e embasados possível - sua grande preocupação era não repassar informações falsas ou incompletas.

O poder da leitura

Para dar conta do trabalho, Fatou contou com a ajuda de um velho e grande amigo: o hábito de leitura. A jovem acredita que o costume de ler com frequência "foi fundamental até para começar a gostar de escrever, e foi um ponto de virada dentro do meu entendimento sobre a luta antirracista, e dentro da minha própria capacidade de produção [de conteúdo para as redes sociais".

Publicidade

Para Fatou, a leitura deve ser incentivada desde o início: "eu acho que apresentando a leitura como algo multifacetado faz com que as pessoas procurem um livro. A informação está principalmente nos livros."

E Fatou N'Diaye dá a letra para aqueles jovens que, assim como ela, também desejam produzir conteúdos sobre intolerância. O primeiro passo é se informar. "Tem muita informação falsa na internet, então é importante saber onde você está se informando e se embasar, para não propagar conteúdo falso."

Mas todo o esforço e busca por informações corretas da jovem valeu a pena: Fatou foi aceita com bolsa de estudos integral na Universidade de Gettysburg, nos Estados Unidos, onde estudará Economia Matemática e Políticas Públicas. Arrasou, hein!

https://www.instagram.com/p/CumTcOIO81D/?utm_source=ig_embed&utm_campaign=loading

Em conversa com o GUIA DO ESTUDANTE, Fatou N'Diaye indicou 5 livros para entender questões contemporâneas e étnico-raciais. Confira aqui:

Publicidade

1. "Entre 4 paredes" - B.A. Paris

Grace é uma mulher e esposa perfeita. Casada com Jack, um belo e charmoso advogado especialista em casos de violência doméstica, Grace dedica seus dias à casa e ao marido. Os dois fazem tudo juntos.

No entanto, algo parece errado: Grace não sai sem Jack. Também não possui celular, e seu único contato com o mundo exterior é um e-mail compartilhado com o esposo. O thriller tem como tema principal as aparências, que muitas vezes não mostram o que realmente está acontecendo por trás dos panos: um sonho que, na verdade, pode ser um grande pesadelo. Quais são os planos de Grace para sair desta situação?

2. "O Mundo Se Despedaça" - Chinua Achebe

Este romance do nigeriano Chinua Achebe narra a história do guerreiro Okonkwo, da etnia Ibo, e de sua cultura.

Chinua Achebe é considerado um dos maiores escritores da Nigéria, e não à toa: sua escrita arremessa o leitor na cultura e sociedade Ibo, a Ibolândia. O livro foca no momento em que missionários britânicos inserem o cristianismo na tribo de Okonkwo - e mostra a sequencial perda de valores da etnia local sob os valores europeus.

Publicidade

3. "No seu Pescoço" - Chimamanda Ngozi Adichie

Este livro de Chimamanda Ngozi Adichie, que compõe a lista de leituras obrigatórias da Unicamp 2024, é uma coletânea de doze contos que têm como tema principal questões étnicas em diferentes contextos e situações.

O título da obra faz menção a um dos contos, que narra a história de uma nigeriana que vai para terras americanas e começa um relacionamento com um homem branco. Assim, acaba lidando com os preconceitos e as problemáticas de um namoro interracial.

4. "Comunidades Imaginadas "  - Benedict Anderson

Para entender este livro, primeiro precisamos entender o próprio autor. Benedict Anderson é filho de pais britânicos, nasceu na China, cresceu na Califórnia e hoje mora no Reino Unido. Por ter sido imerso em diversas nações e culturas, Anderson decidiu estudar o sentimento de nacionalismo a fundo, e é sobre isso o tema do livro.

O autor coloca uma lupa no conceito nacionalista, para explica-lo do ponto de vista cultural, e explica que esse sentimento esta mais interligado ao pertencimento do que ao Estado politico como muitas vezes o associamos.

Publicidade

5. "O Santo e a Porca" - Ariano Suassuna

Esta peça, de autoria de um dos maiores nomes do teatro brasileiro, usa a literatura de cordel e a comédia para retratar a miséria da alma humana e as dicotomias entre o sacro e o profano.

Contada em três atos, "O Santo e a Porca" tem como personagem principal Euricão Árabe, um velho avarento extremamente religioso que tem uma porca recheada de dinheiro em casa.

Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se