Por décadas, os professores ocuparam a posição de transmissores de conteúdo nas salas de aula. No entanto, o acesso facilitado a diversas fontes de informação mudou o perfil dos alunos e exigiu que as escolas buscassem novas formas de ensinar. Entre elas, ganham força as metodologias ativas, que colocam o estudante no papel de protagonista.
A sócia da Cogna e diretora de negócios da Start Anglo, Juliana Diniz, afirma que o protagonismo curricular ganha relevância porque o mundo contemporâneo exige mais do que a memorização de conteúdos. As escolas precisam formar alunos com capacidade de investigar, colaborar, resolver problemas e aplicar conhecimentos em diferentes contextos.
Algumas instituições têm adotado a Aprendizagem Baseada em Problemas (PBL, na sigla em inglês), metodologia que propõe que os estudantes sejam desafiados a resolver problemas do mundo real e aprendam durante o processo. Geralmente, as atividades envolvem a apresentação de um problema pelo professor, e os alunos recebem um determinado tempo para levantar hipóteses, discutir alternativas e chegar à melhor solução. Segundo a coordenadora do curso de Pedagogia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Aline Martins de Almeida, metodologias como essa permitem que o estudante desenvolva habilidades fundamentais para o cidadão contemporâneo, como autonomia e capacidade de resolução de problemas.
Juliana aponta que essas metodologias também favorecem a inclusão, porque reconhecem que os estudantes aprendem de formas e em ritmos diferentes. "Além disso, permitem maior flexibilidade nos processos de avaliação, oferecendo diferentes formas de demonstrar as aprendizagens e tornando o desenvolvimento dos estudantes mais visível e significativo", acrescenta.
"Para que o protagonismo seja, de fato, inclusivo, é necessário refletir sobre cada problema sob uma perspectiva que transforme a ação pedagógica em uma prática vivenciada por todos, de forma equânime, justa e humana", afirma Aline.
Nesse contexto, as especialistas apontam que o professor assume um novo papel: deixa de ser transmissor de conteúdo para atuar como orientador. A diretora-geral e pedagógica do Colégio Stocco, Jozimeire Stocco, afirma que isso está relacionado a um dos principais desafios das metodologias ativas: a formação de educadores preparados para lidar com as imprevisibilidades, incluindo a resistência de parte dos alunos.
"Alguns estudantes podem achar que o professor não está dando aula ou que está tentando empurrar para eles um papel que deveria ser dele", aponta. Para ela, o caminho é compreender as habilidades e preferências de cada aluno e buscar dividir os papéis nas resoluções dos problemas. Em um debate, por exemplo, alguns estudantes podem assumir funções mais ligadas à oratória e outros à pesquisa.
As especialistas também apontam que as escolas podem enfrentar dificuldades na aplicação da metodologia em determinadas atividades ou turmas. Aline afirma que é importante entender que cada escola e cada território vivem realidades diferentes e que as propostas precisam levar esses fatores em consideração. "Não há como implementar um único modelo para todas as escolas", diz.
Jozimeire também pontua que aceitar que nem todas as ideias vão dar certo faz parte do processo. "Não vamos abandonar a metodologia, mas pensar em fazer diferente ou em outro momento."