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Centros acadêmicos da USP entram com ação contra Fapesp por mudança de bolsas no exterior

Entidades estudantis pedem suspensão imediata das novas regras, alegando que não houve período de transição nem comunicado à comunidade acadêmica; procurada, Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo não respondeu

28 ago 2026 - 20h38
Resumo
Centros acadêmicos da USP acionaram a Justiça contra a Fapesp para suspender as novas regras da Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior. A mudança extingue o benefício para alunos de Iniciação Científica e Mestrado e reduz o prazo para doutorandos. A ação alega falta de debate e regras de transição, alertando que o corte elitiza a ciência e prejudica estudantes vulneráveis. Entidades científicas também cobram justificativas técnicas e orçamentárias pelo impacto na formação e na pesquisa.

Os centros acadêmicos da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA-USP) protocolaram nesta sexta-feira, 28, uma ação civil pública com pedido de liminar na Justiça contra a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

As entidades estudantis pedem a suspensão imediata das novas regras que descontinuaram a Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior (BEPE) para estudantes de Iniciação Científica e Mestrado, além da redução dos prazos máximos para doutorado e pós-doutorado.

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Nesta semana, a Fapesp publicou em seu site que, a partir de 1.º de setembro, as BEPEs serão destinadas a alunos do doutorado direto, doutorado e pós-doutorado, mas não para as outras modalidades, como ocorria nos outros anos. Também é prevista uma redução no tempo de estágio para os doutorandos de 12 meses para 6 meses. Procurada pela reportagem, a fundação ainda não comentou.

Um dos principais órgãos de fomento à pesquisa do País, a Fapesp tradicionalmente paga bolsas mais altas para os pesquisadores do que as agências federais, como a Capes e o CNPq. Segundo especialistas, um dos motivos para a baixa atratividade da carreira científica é a remuneração dos pesquisadores. As BEPEs chegam a pagar R$ 11 mil, dependendo do país de destino dos alunos, além de auxílio para passagens e moradia.

"A decisão da Fapesp não é apenas um corte administrativo, é um projeto de elitização da ciência. Ao extinguir o fomento para a base da pesquisa sem qualquer regra de transição, o Estado manda um recado cruel de que a internacionalização acadêmica voltou a ter catraca e exige pedágio", afirmou a presidente do CA da Faculdade de Direito, Rita Lara. "Nós acionamos a Justiça porque a produção do conhecimento não pode ser um privilégio restrito a quem pode se sustentar em euro ou dólar. O direito à pesquisa e à permanência estudantil é inegociável."

A ação sustenta que a resolução da Fapesp — publicada em 26 de agosto com vigência prevista já para 1.º de setembro — impõe uma mudança abrupta e sem regras de transição previstas, "violando a segurança jurídica, a proteção da confiança e o princípio constitucional da vedação ao retrocesso social".

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A petição argumenta ainda que a suspensão atinge com maior gravidade estudantes sem condições financeiras de arcar com custos de passagens, moradia e alimentação em instituições estrangeiras, transformando a internacionalização acadêmica em um privilégio restrito.

No pedido encaminhado a uma das Varas da Fazenda Pública da Capital, as entidades requerem tutela de urgência para manter integralmente as regras anteriores da BEPE até que haja amplo debate público com a comunidade acadêmica e a apresentação de estudos técnicos e orçamentários que justifiquem qualquer alteração.

Entidades cobram a Fapesp

Como o Estadão mostrou, entidades ligadas a pesquisadores - como a Associação Nacional de Pós-Graduandos e a Associação de Docentes da Unesp - também têm cobrado a Fapesp.

A petição da Adunesp pede que a fundação apresente os critérios acadêmicos e orçamentários que embasaram a decisão. A entidade alerta para o prejuízo à internacionalização e à formação de novos cientistas.

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"Não temos ainda dados e informações precisas sobre as áreas mais afetadas pelo corte", afirmou o presidente da Adunesp, o professor Antonio Luis de Andrade, da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Unesp - Presidente Prudente. "Mas independentemente da área, o estrago é grande, temos intercâmbios muito importantes com universidades do mundo todo; esse corte é um ataque brutal aos interesses das universidades e do próprio País."

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