Donald Trump é citado em mais de 5 mil arquivos de Jeffrey Epstein; saiba mais

Mais de três milhões de páginas foram tornadas públicas pelo Departamento de Justiça; autoridades dizem não haver base para investigação adicional envolvendo o presidente

3 fev 2026 - 20h04

O presidente Donald Trump manifestou-se nesta segunda-feira (2) sobre a recente divulgação de arquivos relacionados a Jeffrey Epstein pelo Departamento de Justiça (DOJ). O mandatário afirmou que o órgão deveria priorizar outros assuntos, sugerindo que o volume de 3 milhões de páginas de documentos liberados ocupou excessivamente os esforços da instituição. O vice-procurador-geral, Todd Blanche, confirmou que a análise do material foi concluída e reiterou que a Casa Branca não exerceu supervisão sobre o processo.

Jeffrey Epstein e Donald Trump
Jeffrey Epstein e Donald Trump
Foto: Davidoff Studios/Getty Images / Perfil Brasil

Em declaração ao programa "State of the Union" da CNN, Todd Blanche informou que o Departamento de Justiça investigou alegações de má conduta sexual contra o presidente Trump em conexão com a rede de Epstein. Segundo o vice-procurador-geral, a revisão dos documentos não encontrou informações com credibilidade suficiente para fundamentar uma investigação mais profunda ou o indiciamento de irregularidades. Trump, por sua vez, utilizou as conclusões para afirmar que o conteúdo dos arquivos comprova sua isenção de qualquer prática ilícita.

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Grande parte dos documentos tornados públicos na última sexta-feira (30) que citam Trump consiste em reportagens, matérias jornalísticas e outros conteúdos de acesso público que foram parar na caixa de e-mails de Epstein. Nenhum desses registros traz qualquer troca direta de mensagens entre Donald Trump e Epstein. Apenas uma parcela dos arquivos é do início dos anos 2000, período em que os dois mantinham uma relação de amizade

Detalhes do conteúdo analisado

A análise dos arquivos, feita pelo jornal americano The New York Times, revela diferentes níveis de interação e registros sobre o relacionamento entre Donald Trump e Epstein:

  • Denúncias do FBI: Os arquivos contêm um resumo compilado por funcionários do FBI no último ano, reunindo denúncias não verificadas enviadas ao Centro Nacional de Operações de Ameaças. Trump é listado entre seis personalidades sobre as quais foram recebidas alegações de "informações obscenas" e abuso sexual. O órgão ressaltou, porém, que tais relatos não possuem comprovação factual.

  • Depoimentos de Vítimas e Funcionários: Notas manuscritas de interrogatórios realizados em 2019 com vítimas de Epstein descrevem visitas e encontros. Um dos registros relata o transporte de uma vítima para Mar-a-Lago para um encontro com o presidente, embora as notas não indiquem comportamento inapropriado. "Esta é boa, não é?", a vítima lembra Epstein dizendo a Trump. Juan Alessi, ex-funcionário de Epstein, também confirmou em depoimento que Trump frequentava as propriedades do financista.

  • Comunicações de Terceiros: Foram identificados e-mails de outubro de 2002 assinados por uma remetente de nome "Melania" enviados a Ghislaine Maxwell, sócia de Epstein. O conteúdo era de tom cordial, comentando uma reportagem sobre Epstein. Além disso, mensagens de texto de 2019 entre Epstein e o ex-assessor Stephen Bannon foram encontradas, incluindo imagens do presidente durante discursos.

  • Monitoramento e Vantagem Política: Os documentos sugerem que Epstein manteve uma vigilância sobre a ascensão política de Trump mesmo após o distanciamento entre ambos. Registros de 2011 e 2018 mostram Epstein acompanhando investigações sobre o Deutsche Bank (credor comum a ambos) e avaliando contatos com o então futuro presidente para tratar de temas relacionados a Virginia Giuffre.

Muitos dos arquivos agora divulgados reforçam informações que já eram de domínio público ou que haviam sido apresentadas em comissões do Congresso. Estão incluídas fotos da mansão de Epstein que exibiam imagens de Trump com outras mulheres e referências a um livro de aniversário de 2003, que continha uma mensagem atribuída ao presidente — fato que gerou uma ação judicial por parte de Trump contra veículos de imprensa por contestar a autoria do texto.

A divulgação encerra um período de especulação sobre o conteúdo retido pelo governo, após promessas de campanha seguidas por resistência inicial à liberação dos dados. O material confirma que, embora a relação tenha sido próxima no início dos anos 2000, não foram registradas comunicações diretas entre os dois nos arquivos mais recentes analisados pelo Departamento de Justiça.

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A Casa Branca não comentou documentos específicos, referindo-se apenas à declaração anterior do presidente de que o conteúdo dos arquivos serve como prova de sua absolvição em relação a qualquer irregularidade.

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