Deputado solicita proteção a perito que indicou irregularidades no Caso Vitória

Parlamentar acionou a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo após Renato Domingos Patolli relatar pressões internas para a modificação de laudos periciais sobre a morte da jovem em Cajamar

16 mar 2026 - 06h00

O deputado estadual Rafa Zimbaldi (União Brasil-SP) enviou um pedido formal ao Governo de São Paulo solicitando medidas de proteção para o perito Renato Domingos Patolli. O servidor da Polícia Científica esteve envolvido na análise das provas referentes ao assassinato de Vitória Regina de Sousa, ocorrido em fevereiro de 2024, no município de Cajamar. O pedido de segurança ocorre após o profissional declarar que sofreu pressões para alterar documentos técnicos que fundamentaram a prisão do único suspeito do crime.

Vitória Regina de Sousa, de 17 anos, foi encontrada sem vida em uma região de mata em Cajamar, na Grande São Paulo
Vitória Regina de Sousa, de 17 anos, foi encontrada sem vida em uma região de mata em Cajamar, na Grande São Paulo
Foto: Reprodução/Redes Sociais / Perfil Brasil

Renato Domingos Patolli, que possui 30 anos de carreira no serviço público, afirmou ter sido compelido a incluir informações em um laudo complementar para acelerar o encerramento do inquérito. Segundo o relato do servidor, houve ameaças e um posterior afastamento de suas funções após o episódio.

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Diante dos fatos narrados, o deputado Rafa Zimbaldi protocolou um ofício na Secretaria de Estado de Segurança Pública. O documento demanda a preservação de todas as evidências coletadas sobre a morte da vítima e a garantia da integridade física do perito. O parlamentar sustenta que a manutenção da segurança do servidor é necessária para o esclarecimento sobre a origem das pressões mencionadas e para a verificação da fidedignidade das provas apresentadas até o momento.

O parlamentar também requereu ao secretário de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, que o inquérito policial relativo ao caso seja reaberto e transferido da Delegacia de Cajamar para o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), na capital paulista. A proposta inclui o apoio da Polícia Federal nas investigações.

O argumento para a transferência baseia-se em alegações da defesa e do próprio acusado, Maicol Sales dos Santos, de que a confissão do crime teria ocorrido sob coação. O inquérito em questão havia sido arquivado em meados de 2025 na unidade policial de origem. Para o parlamentar, a transparência do processo depende de uma revisão conduzida por órgãos especializados externos à localidade onde o crime foi inicialmente registrado.

Vitória Regina de Sousa, de 17 anos, desapareceu em 26 de fevereiro de 2024 após sair do trabalho. O corpo foi localizado em uma área de mata no dia 5 de março do mesmo ano, apresentando sinais de violência e cortes por faca na região do tórax e pescoço. O exame pericial da época indicou hemorragia como causa do óbito.

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O acusado, Maicol Sales dos Santos, permanece detido no Centro de Detenção Provisória de Guarulhos e deve ser submetido a júri popular. A tese da investigação policial inicial aponta que o crime teria sido motivado pelo intuito de ocultar um relacionamento entre o acusado e a vítima.

O posicionamento do deputado Zimbaldi foca na fiscalização do cumprimento dos ritos legais e na integridade dos procedimentos da Polícia Científica e da Polícia Civil, visando assegurar que o desfecho judicial ocorra com base em evidências técnicas verificadas.

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