Depois de 38 anos criando uma "Nova Esperança", ONG pode ficar sem casa 

Onde nasce uma nova esperança Esperança não é só uma palavra

24 mar 2026 - 15h21
(atualizado às 15h33)

Onde nasce uma nova esperança

Esperança não é só uma palavra. Às vezes, ela tem endereço, tem rotina, tem gente.

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Há 38 anos, no Jardim Guanhembú, a Dona Sônia decidiu criar exatamente isso: uma nova esperança.

Não como ideia, mas como prática. Mesmo sem sede, recursos ou garantias.

Só com a certeza de que aquelas pessoas mereciam mais do que a vida estava oferecendo.

Nascia então a Nova Esperança, com as iniciais em maiúsculo mesmo. Nome próprio. 

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Quando a esperança insiste em ficar

Para manter esse sonho vivo, Dona Sônia fez de tudo.

Recolhendo recicláveis para pagar aluguel, pediu alimentos no CEASA, contou com a ajuda de quem aparecia no caminho.

Mesmo assim, a estabilidade nunca veio fácil. Nos primeiros anos, a ONG mudou de endereço nove vezes. Nove vezes a esperança precisou fazer as malas. Nove vezes recomeçar.

Mas nunca deixou de existir.

"A gente tá sem sede há um tempo, mas as famílias continuam chegando, as crianças continuam precisando. Continuo vendo crianças se perderem. Os pequenos estão furtando nos mercados e pedindo no farol. É muito triste morar em um bairro que não traz outra opção senão essas. Então a gente continua também. Eu não sei fazer diferente depois de 38 anos.", Dona Sônia Maria Lins Freitas.

Dona Sônia, idealizadora do Nova Esperança
Dona Sônia, idealizadora do Nova Esperança
Foto: Vakinha / Vakinha

Um lugar onde a esperança vira futuro

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Quando finalmente conseguiu uma sede, a Nova Esperança passou a ser mais do que um nome. Virou transformação.

De segunda a sexta, crianças de 6 a 14 anos encontravam ali o que muitas vezes faltava fora dali: cuidado, estrutura, perspectiva, café da manhã, almoço, atividade, afeto.

Para participar, uma regra simples, mas decisiva: só faz parte quem está na escola.

Foi assim que muitas histórias mudaram de direção.

Jovens que poderiam ter sido engolidos pelo tráfico encontraram o primeiro emprego, crianças descobriram talentos, futuros começaram a ser desenhados.

Uma delas foi Julia Kerolyn Barros de Almeida, que passou pela ONG e hoje é jogadora profissional do EC Bahia.

"A Dona Sônia foi a primeira pessoa que acreditou que eu podia ser mais do que o bairro onde eu cresci. Lá eu aprendi que tinham regras, que tinha compromisso. Isso eu levo até hoje dentro de campo.", conta a atleta.

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Júlia Kerolyn ainda pequena ao lado da Dona Sônia/ Júlia Kerolyn, já adulta, atleta profissional do E.C.Bahia
Foto: Vakinha / Vakinha

Quando a esperança se multiplica

Com o tempo, a Nova Esperança cresceu. 

Hoje, são 190 famílias atendidas com cestas básicas. Outras 78 recebem leite semanalmente. Idosos que antes estavam sozinhos encontraram nas aulas de artesanato um novo sentido para os dias.

Porque esperança também é isso: não deixar ninguém para trás.

E quando a esperança perde o lugar

Agora, essa história enfrenta um dos seus momentos mais difíceis.

A Nova Esperança está sem sede.

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Sem o espaço onde tudo acontecia.Sem o lugar que sustentava anos de trabalho, afeto e transformação.

Depois de tanto tempo resistindo, a esperança corre o risco de ficar sem chão.

Comunidade do Jardim Guanhembu
Foto: Vakinha / Vakinha

Uma nova esperança para a Nova Esperança

Mas, no meio da incerteza, surgiu uma oportunidade.

Um terreno. A chance de, pela primeira vez em 38 anos, não depender mais de aluguel, de não precisar mais mudar, de não precisar mais recomeçar do zero.

Um endereço definitivo. Um lar. O valor é R$ 200 mil.

Se tem algo que essa história deixa claro, é que Dona Sônia nunca desistiu, mas, mais do que nunca, quem sempre segurou a esperança com as próprias mãos precisa de ajuda. 

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A vaquinha está aberta no site oficial do Vakinha e você pode fazer parte dessa corrente. É possível doar valores a partir de R$25 pelo cartão de crédito ou qualquer quantia diretamente pela chave Pix: novaesperanca@vakinha.com.br.

Além disso, é possível doar corações para a vaquinha, o que dá mais visibilidade à campanha.

E, se não puder doar, compartilhar já é um gesto que move tudo, porque esperança também se espalha.

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