Existe hoje um vasto comércio global de produtos falsificados em rápida expansão: de imitações de roupas, sapatos e eletrônicos a cosméticos e produtos farmacêuticos.
E alguns destes produtos falsificados podem representar sérios riscos à saúde de compradores desavisados.
As autoridades sanitárias alertam os consumidores para que "tenham extrema cautela ao comprar medicamentos e dispositivos médicos online". Isso inclui produtos para emagrecimento que alegam conter medicamentos sujeitos a receita médica e frascos falsificados de Botox. Enquanto isso, testes identificaram protetores solares falsificados que não têm nenhum filtro UV, não oferecendo proteção contra danos à pele.
Um relatório recente monitorou apreensões alfandegárias em todo o mundo. Ele estimou que o comércio de produtos falsificados cresceu para cerca de US$ 467 bilhões em 2021. Isso representa cerca de 2,3% do total das importações globais.
Mas a verdadeira dimensão do mercado de produtos falsificados é provavelmente muito maior, dada sua natureza opaca e, muitas vezes, ilícita. Alguns consumidores optam, de fato, por comprar produtos falsificados. Mas isso é arriscado. Para evitar ser enganado, veja o que empresas e consumidores podem fazer.
Falsificações cresceram com compras online
Um dos principais fatores por trás do crescimento da falsificação é a rápida expansão das plataformas de compras online. Elas reduziram significativamente as barreiras para que os falsificadores alcancem públicos globais, aumentando a exposição dos consumidores a produtos fraudulentos.
Mercados de segunda mão populares, como o Facebook Marketplace, o eBay e o Craigslist, complicam ainda mais a questão.
Itens falsificados são frequentemente vendidos como produtos genuínos e usados. Isso tornou a detecção mais difícil e aumentou o risco de os consumidores caírem vítimas de práticas enganosas.
Alguns querem produtos falsificados
Enquanto alguns consumidores são vítimas de produtos falsificados sem saber, outros os procuram ativamente.
O aumento dos preços, a percepção de queda na qualidade dos produtos e a disponibilidade limitada de produtos genuínos levaram alguns consumidores a considerar que as falsificações oferecem uma melhor relação custo-benefício.
Comunidades online dedicadas a ajudar as pessoas a encontrar réplicas de alta qualidade cresceram em popularidade, muitas vezes impulsionadas pela insatisfação com os mercados legítimos.
Criando demanda com escassez artificial
Certas estratégias de marca contribuem involuntariamente para o crescimento dos mercados de produtos falsificados.
A "escassez artificial", criada por meio de lançamentos e distribuição limitados, ou de um fornecimento rigidamente controlado, restringe deliberadamente o acesso a produtos genuínos. A relojoaria de luxo Rolex tem sido um exemplo clássico disso.
É um Rolex verdadeiro? O mercado de relógios suíços falsificados movimenta cerca de US$ 2 bilhões.Rubaitul Azad/Pexels, CC BYA Rolex depende de que os clientes comprem por meio de redes de revendedores exclusivos e autorizados. Se você deseja um relógio específico e difícil de encontrar, poderá enfrentar longas filas de espera ou ser incentivado a comprar outros itens primeiro.
Da mesma forma, marcas como a fabricante de roupas norte-americana Supreme têm usado uma estratégia de lançamento limitado, na qual pequenas quantidades são disponibilizadas por um período limitado.
Embora essa abordagem mantenha, sem dúvida, uma imagem de prestígio da marca, essas estratégias resultam em produtos que se esgotam instantaneamente. Isso pode levar os consumidores a mercados de revenda ou a alternativas falsificadas.
Os fabricantes de relógios suíços (incluindo a Rolex) e a Supreme figuraram entre as marcas mais procuradas para falsificações na última década. Estima-se que apenas os relógios suíços falsificados tenham rendido US$ 1,88 bilhão em 2021.
Como combater os piratas
Melhorar a disponibilidade dos produtos pode reduzir significativamente a falsificação, ao mesmo tempo em que aumenta as vendas legítimas.
O cofundador da fabricante americana de videogames Valve Gabe Newell descreveu a pirataria digital como um problema de qualidade de serviço, e não de preço:
A maneira mais fácil de acabar com a pirataria não é implementando tecnologia antipirataria. É oferecendo a essas pessoas um serviço melhor do que o que elas estão recebendo dos piratas.
Ao expandir o acesso global à sua plataforma de distribuição digital, a Valve conseguiu reduzir as taxas de pirataria e se tornar uma plataforma líder de mercado.
Há uma década, o surgimento de serviços de streaming como a Netflix facilitou o acesso aos seus filmes e programas de TV favoritos. A pirataria na verdade diminuiu em muitos países.
Mas essa tendência se inverteu com o tempo, à medida que o streaming se tornou cada vez mais fragmentado e caro. Isso está forçando espectadores frustrados a pagar mais por várias assinaturas — ou recorrer a sites ilegais.
Consumidores preferem o produto original
Pesquisas indicam que, quando têm a opção, uma proporção substancial de consumidores prefere produtos genuínos.
Estimativas sugerem que entre 46% e 100% dos consumidores escolheriam produtos autênticos se eles estivessem prontamente disponíveis.
Essa preferência é particularmente forte em categorias de alto risco: até 100% dos consumidores optariam por medicamentos genuínos, e até 95% escolheriam bebidas autênticas, como vinho.
O que empresas e consumidores podem fazer
Marcas que são regularmente alvo de falsificações podem combater a contrafação facilitando a compra de produtos genuínos pelos consumidores.
Isso inclui repensar práticas como escassez artificial, distribuição restritiva e listas de espera prolongadas, que podem, sem querer, direcionar a demanda para mercados de revenda ou de produtos falsificados.
A Rolex, por exemplo, lançou um mercado de produtos usados certificados para ajudar a aliviar a escassez.
Da mesma forma, a Nike investiu fortemente em um modelo de vendas direto ao consumidor, tornando seus produtos mais facilmente acessíveis.
Mas os consumidores precisam estar cientes dos riscos crescentes dos produtos falsificados, especialmente ao comprar em plataformas de revenda online.
Sinais de alerta de que um produto pode ser falso, disfarçado de genuíno, incluem:
- preços excepcionalmente baixos
- falta de informações verificáveis sobre o vendedor
- imagens desfocadas
- ou detalhes inconsistentes do produto.
Sempre que possível, comprar de varejistas oficiais ou autorizados reduz o risco — especialmente para produtos com possíveis implicações para a saúde e a segurança, como cosméticos, medicamentos e alimentos.
Gediminas Lipnickas não presta consultoria, trabalha, possui ações ou recebe financiamento de qualquer empresa ou organização que poderia se beneficiar com a publicação deste artigo e não revelou nenhum vínculo relevante além de seu cargo acadêmico.