A rotina de Luiza Rosa, de apenas 25 anos, transformou-se radicalmente nos últimos meses devido ao sucesso crescente de sua personagem, Kellen. O papel, que inicialmente parecia destinado a uma participação discreta em "Três Graças", ganhou camadas de complexidade e um espaço generoso na narrativa principal. Luiza não esconde o entusiasmo com essa trajetória ascendente e afirma com sinceridade à Folha que "a Kellen é uma surpresa até para mim". Na ficção, a jovem evangélica vive em uma comunidade periférica e precisa equilibrar os dilemas profundos entre sua fé, as expectativas da família e seus próprios desejos pessoais.
Evolução da personagem surpreende Luiza Rosa na trama
A atriz confessa que não projetava o impacto que a personagem alcançaria junto aos telespectadores. No planejamento inicial, a expectativa era que Kellen permanecesse restrita ao núcleo de apoio, observando o cotidiano do pai, o pastor Albérico, interpretado pelo ator Henrique Dias, e acompanhando o drama vivido por Joelly, papel de Alana Cabral.
No entanto, o roteiro assinado por Aguinaldo Silva trouxe reviravoltas que permitiram à atriz explorar novos horizontes dramáticos e sentimentais. Luiza explica que "desde a preparação existia a possibilidade de um romance, mas nada estava definido". O cenário mudou quando a produção confirmou o envolvimento de Kellen com o médico Zé Maria, vivido por Túlio Starling, o que consolidou seu destaque. "Amei! A Kellen cresceu na trama", celebra a artista.
A ascensão narrativa foi acompanhada por uma mudança estética significativa para a personagem, coordenada pela figura de Consuelo, interpretada por Viviane Araújo. Segundo a atriz, essa mentora ficcional "deu essa repaginada na Kellen", resultando em novos penteados e uma renovação completa no figurino. Um ponto de orgulho para Luiza é a manutenção de seus traços autênticos na tela, algo que ela valoriza profundamente como mulher negra nas artes. "A direção quis manter meu cabelo natural desde o começo. E eu acho um privilégio poder usar meu cabelo natural, porque sempre tive medo de que ele não fosse aceito", desabafa a jovem à Folha.
Trajetória do cinema às oficinas de talentos da Globo
Embora esteja vivenciando sua primeira experiência completa em uma novela, Luiza Rosa já acumula um currículo respeitável em outras produções de peso na televisão e no cinema nacional. O público atento pode reconhecê-la por participações em "Mar do Sertão", "Guerreiros do Sol" e na premiada série médica "Sob Pressão".
Contudo, foi o projeto cinematográfico sobre a vida de um dos maiores humoristas do Brasil que realmente impulsionou sua visibilidade no meio artístico. Ela destaca que o longa "Mussum, O Filmis", no qual deu vida à irmã do protagonista, foi fundamental. "Foi meu primeiro grande trabalho. A gente viajou, participou de festivais, ganhou prêmios. Foi um projeto que abriu muitas portas", recorda.
Curiosamente, a entrada para o elenco de "Três Graças" não ocorreu por meio dos tradicionais processos de audição para um papel específico. A oportunidade surgiu a partir do banco de talentos da Globo, alimentado por oficinas internas de aprimoramento de atores. O anúncio da escalação veio de forma inusitada e quase inacreditável para a atriz. "Era 1º de abril. Achei que fosse brincadeira", revela Luiza entre risos, lembrando do choque ao descobrir que o convite era real. Antes de se consolidar nos palcos e estúdios, ela cogitou seguir um caminho acadêmico bem distante dos refletores. "Ser professora de biologia seria meu plano B", conta ela, que chegou a cursar a faculdade na área.