Custo de reajustes no Legislativo supera arrecadação de 95% das cidades brasileiras

Impacto de R$ 790 milhões para servidores da Câmara e do Senado é maior que a receita anual de 5.271 municípios

4 fev 2026 - 19h46

O Congresso Nacional aprovou, na última terça-feira (3), os projetos de lei que estabelecem novos reajustes salariais para os servidores da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. A medida, que agora aguarda a sanção da Presidência da República, projeta um impacto orçamentário total de R$ 790 milhões, segundo o g1. Esse montante ultrapassa a receita anual esperada de 95% dos municípios brasileiros, conforme dados do Tesouro Nacional.

Congresso Nacional
Congresso Nacional
Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil / Perfil Brasil

De acordo com o g1 propostas foram votadas em regime de urgência, com a aprovação do mérito em menos de três horas após acordo entre lideranças. Os textos estabelecem aumentos escalonados no vencimento básico entre os anos de 2026 e 2029.

Publicidade

Além do ajuste na base salarial, foi criada a Gratificação de Desempenho e Alinhamento Estratégico. Este benefício possui potencial para elevar os ganhos em até 100% sobre o vencimento básico dos funcionários das duas Casas Legislativas. Segundo a Lei Orçamentária Anual (LOA), a divisão do impacto ao final de 2025 será:

  • Câmara dos Deputados: R$ 592 milhões.

  • Senado Federal: R$ 198 milhões.

Para mensurar a escala do valor, os dados do Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Sincofi) apontam que, dos 5.526 municípios do país, 5.271 cidades possuem receitas inferiores aos R$ 790 milhões aprovados para o reajuste.

A análise do g1, que utilizou o ano de 2024 como base comparativa devido à disponibilidade de dados, destaca os seguintes pontos:

  • População: Os municípios com receita menor que o reajuste totalizam 96,6 milhões de habitantes e possuem, em média, 18 mil moradores.

  • Extremos: Cidades como Quinta do Sol (PR) e Bandeira do Sul (MG) operam com orçamentos anuais inferiores a R$ 10 milhões.

  • Proporção: Pelo menos 2.625 municípios orçaram receitas que representam apenas 10% (cerca de R$ 79 milhões) do total destinado ao aumento dos servidores federais.

A capacidade orçamentária para superar o valor do reajuste é concentrada em poucos estados. O Rio de Janeiro apresenta o maior índice proporcional, com 28,6% de suas cidades (26 de 91) arrecadando acima de R$ 790 milhões. Na sequência, São Paulo possui 71 municípios (11%) nessa faixa financeira. Em contrapartida, seis estados brasileiros possuem apenas uma cidade com receita superior ao montante aprovado pelo Congresso.

Publicidade
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se