Crise nos Correios: estatal fecha 2025 com perdas de R$ 8,5 bilhões e queda em encomendas

Entenda os principais motivos que levaram ao resultado negativo histórico da estatal e as medidas adotadas para tentar recuperar a saúde financeira da empresa

23 abr 2026 - 19h35

Os Correios apresentaram nesta quinta-feira (23) os resultados financeiros referentes ao ano de 2025, revelando um cenário de profunda dificuldade econômica. O fato mais impactante do relatório é o prejuízo de R$ 8,5 bilhões registrado no ano passado, um valor que superou em mais de três vezes o saldo negativo de 2024. De acordo com informações do g1, este é o 14º trimestre consecutivo de perdas da estatal desde o final de 2022. O principal fator para esse aumento bilionário nas despesas foi o pagamento de precatórios, que são dívidas determinadas pela Justiça, totalizando R$ 6,4 bilhões apenas neste setor.

A queda na receita bruta, que atingiu R$ 17,3 bilhões, também foi um ponto crítico no relatório apresentado pela diretoria
A queda na receita bruta, que atingiu R$ 17,3 bilhões, também foi um ponto crítico no relatório apresentado pela diretoria
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil / Perfil Brasil

Para tentar conter a crise de liquidez, os Correios fecharam um empréstimo de R$ 12 bilhões nos últimos dias de 2025 por meio de um consórcio com grandes bancos como Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. No entanto, o presidente da empresa, Emmanoel Rondon, explicou que esses recursos foram utilizados quase integralmente para cobrir despesas emergenciais, pouco afetando o balanço final. Além desse montante, o Conselho Monetário Nacional autorizou a captação de mais R$ 8 bilhões em novos créditos com garantia da União, operação que deve ser consolidada até o fim do primeiro semestre deste ano.

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A queda na receita bruta, que atingiu R$ 17,3 bilhões, também foi um ponto crítico no relatório apresentado pela diretoria. Houve uma redução de 11,35% no faturamento em comparação ao ano anterior, impulsionada principalmente pela queda de 66% nas encomendas internacionais. "O maior fator isolado da queda de receita foi a redução de 65,6% nas encomendas internacionais, provocada por mudanças nas regras de tributação sobre importações de baixo valor que alteraram os fluxos do comércio global", destacou o comunicado oficial da estatal. Somado a isso, a empresa reservou R$ 2,63 bilhões para possíveis perdas em ações trabalhistas que ainda tramitam no Judiciário.

Como estratégia de reestruturação, a estatal aposta na redução de gastos com pessoal por meio de Programas de Demissão Voluntária. Entre fevereiro e abril deste ano, 3.181 funcionários dos Correios aderiram ao plano, gerando uma expectativa de redução de custos na ordem de 40%. Emmanoel Schmidt Rondon afirmou que a adesão foi expressiva em um curto espaço de tempo. "Como vocês podem ver, o PDV que abrimos este ano teve uma duração menor que o outro, que durou o ano todo e atingiu a mesma quantidade de funcionários", pontuou o presidente. Com a soma das adesões dos últimos dois anos, a projeção de economia para os Correios em 2026 é de aproximadamente R$ 775,7 milhões.

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