Condenada, Marine Le Pen diz que será candidata à Presidência da França

7 jul 2026 - 16h21
(atualizado às 16h28)

Líder da ultradireita francesa confirmou que pretende disputar eleição em 2027, horas após tribunal manter pena de prisão, mas abrir janela de oportunidade ao relaxar prazo de inelegibilidade.A política de ultradireita Marine Le Pen afirmou na noite desta terça-feira (07/07) que pretende mesmo disputar a eleição presidencial do país, marcada para abril de 2027.

Marine Le Pen nesta terça-feira após tribunal de recursos emitir nova sentença
Marine Le Pen nesta terça-feira após tribunal de recursos emitir nova sentença
Foto: DW / Deutsche Welle

O anúncio, feito em entrevista a um canal de TV, ocorreu horas depois de um tribunal de recursos de Paris condenar Le Pen a uma sentença de três anos de prisão, sendo dois suspensos, e um ano de monitoramento com tornozeleira eletrônica, no âmbito de um escândalo milionário de desvio de fundos do Parlamento da União Europeia.

Publicidade

Apesar do revés na condenação, o tribunal relaxou a pena de inelegibilidade imposta no ano passado por uma corte de primeira instância, abrindo uma janela para que Le Pen possa se candidatar à sucessão de Emmanuel Macron, apesar da manutenção de outras medidas cautelares.

"Eu sou candidata esta noite", disse Le Pen, ao canal TF1. "Quero recorrer a todas as vias legais para defender minha inocência neste caso", declarou ela, confirmando ainda que pretende recorrer mais uma vez para a Corte de Cassação da França, mais alta instância para casos criminais.

"Fiquei feliz que os franceses tenham recuperado sua liberdade de votar e que o tribunal tenha restituído minha elegibilidade. Não existe mais nenhum cenário em que eu não possa concorrer em 2027", disse ela. "Esperemos que a Corte de Cassação não cometa um erro", concluiu, sobre seus planos de recorrer mais uma vez.

Revés em prisão, mas com janela para candidatura

Publicidade

Apesar de Le Pen originalmente esperar uma absolvição completa nesta terça, a nova sentença de Le Pen reduziu em vários aspectos a proferida na condenação em primeira instância, em março de 2025. Além do tempo de prisão, a proibição de exercer cargos eletivos foi reduzida de maneira crucial para 45 meses, sendo 30 com pena suspensa.

Dessa forma, o veredicto produziu uma janela para que Le Pen possa concorrer em 2027 porque o período não suspenso de 15 meses não de inelegibilidade já foi cumprido desde a sua condenação em primeira instância.

No entanto, a obrigatoriedade de usar tornozeleira eletrônica, que na prática equivale a uma prisão domiciliar, ainda lança uma sombra sobre como Le Pen pode vir a liderar uma campanha presidencial nacional na França.

Anteriormente, Le Pen já havia dito que não pretendia concorrer se a Justiça impusesse o uso de tornozeleira, mas, no anúncio feito nesta noite, ela voltou atrás. Ainda na entrevista desta terça, Le Pen afirmou esperar que a Corte de Cassação derrube a obrigatoriedade da prisão domiciliar com monitoramento.

Publicidade

A Corte de Cassação já declarou anteriormente que, se solicitada a analisar o caso, buscaria emitir uma decisão antes da eleição presidencial de 2027.

Bardella como primeiro-ministro

O anúncio também reconfigura o jogo de poder no partido de Le Pen, o Reunião Nacional (RN). Caso a Justiça fechasse completamente a possibilidade de Le Pen concorrer, ela já havia dito que passaria o manto seu apadrinhado Jordan Bardella, de 30 anos. Na noite desta terça, Le Pen afirmou que, caso eleita para a Presidência, indicará Bardella para o cargo de primeiro-ministro.

Le Pen recorria de uma condenação de março de 2025 que a declarou culpada, juntamente com outros membros de seu partido de uso indevido de verbas do Parlamento Europeu. A acusação refere-se ao pagamento de funcionários do partido com dinheiro que deveria ter sido destinado a funcionários parlamentares da União Europeia, entre 2004 e 2016.

Le Pen sempre negou qualquer má fé no caso e, à época da condenação em primeira instância, classificou o veredito como uma "decisão política" destinada a inviabilizar sua quarta — e, segundo pesquisas, mais promissora — tentativa de conquistar a Presidência.

Publicidade

Marine Le Pen já disputou eleições presidenciais em três oportunidades, após suceder seu pai, Jean-Marie Le Pen, na chefia da ultradireita francesa. Após ficar em terceiro lugar nas eleições de 2012, ela chegou ao segundo turno em 2017 e 2022, mas foi derrotada em ambas as ocasiões por Macron.

Apesar das derrotas nas presidenciais, o RN vem ganhando terreno há anos, e nas eleições legislativas antecipadas de 2024 consolidou-se como o partido com a maior bancada na Câmara dos Deputados da França. A menos de um ano da próxima eleição presidencial, pesquisas indicam que tanto Marine Le Pen quanto Bardella, seu potencial substituto, aparecem na liderança da preferência do eleitorado francês, com mais de 30% das intenções de voto, bem acima de outros rivais.

Julgamento

Durante o julgamento do recurso, Le Pen admitiu ter cometido "um erro". Ela declarou ao tribunal que alguns funcionários pagos como funcionários parlamentares da UE realizavam trabalhos para seu partido — então chamado de Frente Nacional —, mas insistiu que acreditava que tal prática era permitida e que nunca tentou ocultá-la.

Ela também criticou autoridades do Parlamento Europeu por não terem alertado seu partido, na época, de que a forma como pessoas estavam sendo contratadas poderia estar em desacordo com as normas.

Publicidade

O advogado de Le Pen, Rodolphe Bosselut, disse ao colegiado de três juízes que sua cliente estava "confiando a vocês o trabalho de sua vida; a questão, portanto, é se ele terminará aqui ou se poderá ser reconstruído".

jps (DW, ots)

---------

Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
TAGS
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações