A Polícia Federal investiga viagens no jato de luxo do banqueiro Daniel Vorcaro, usado pelo senador Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz dos EUA a Brasília. Apurações apontam que a aeronave, de longo alcance, também teria sido utilizada pelo ministro Alexandre de Moraes e sua esposa, embora o magistrado negue qualquer voo no avião. Enquanto a PF mapeou os trajetos via mensagens de Tomaz, que é investigado por lavagem de dinheiro, ele e o senador alegam apenas amizade e viagens privadas.
O jatinho do banqueiro Daniel Vorcaro que transportou o senador Flávio Bolsonaro e sua família no retorno dos Estados Unidos ao Brasil, no início do ano passado, tornou-se centro de atenções. Segundo a PF, a mesma aeronave também teria sido utilizada em ocasiões anteriores pelo ministro Alexandre de Moraes, integrante do Supremo Tribunal Federal.
O deslocamento da família do parlamentar ocorreu a partir de Fort Lauderdale, na Flórida, com destino à capital federal, contando com a presença do advogado Willer Tomaz, investigado por supostas irregularidades em movimentações financeiras. A operação da aeronave era compartilhada por meio da empresa Prime You, na qual o banqueiro mantinha sociedade, dividindo cotas com o próprio advogado.
Especificações técnicas do jatinho de Daniel Vorcaro
Com 26 metros de extensão total e uma envergadura de 21 metros, a máquina se destaca na categoria de viagens corporativas de longo alcance. O avião consegue atingir a velocidade de 850 km/h e voar em uma altitude de 41.000 pés, oferecendo uma autonomia de navegação de 6.780 km.
Essa capacidade operacional permite que a aeronave realize trajetos sem paradas intermediárias entre o Rio de Janeiro e Miami, por exemplo. No ambiente interno, o projeto inclui isolamento acústico para redução de ruídos, compartimentos privativos para lavabo e o maior espaço dedicado a bagagens dentro do seu segmento.
Em seus materiais promocionais, a administradora do jato destaca aos clientes que o modelo proporciona "voos ao próximo nível de sofisticação". A divulgação sobre a utilização do transporte aéreo por autoridades ganhou novos desdobramentos a partir de apurações jornalísticas, que identificaram que o mesmo equipamento serviu ao deslocamento do magistrado da Suprema Corte e de sua esposa, a advogada Viviane Barci, cujo escritório mantinha laços comerciais com a instituição financeira.
As apurações da Polícia Federal sobre os deslocamentos
Os detalhes do itinerário realizado pelo grupo político foram recuperados pelos investigadores por meio do monitoramento de mensagens e correios eletrônicos do advogado associado ao caso. Documentos digitais datados de janeiro, divulgados pelo jornal O Globo, registraram a logística de viagem envolvendo os familiares dos dois passageiros principais.
Os agentes federais mapearam os trajetos ao analisar arquivos armazenados no telefone celular e na caixa de entrada do investigado, encontrando fotos, comprovantes de reserva e dados sobre locação de automóveis.
Ao ser questionado sobre os fatos, o senador declarou manter com o interlocutor uma "relação de amizade legítima", acrescentando que "qualquer tentativa de insinuar irregularidade a partir dessa afinidade pessoal é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos". Por sua vez, o defensor argumentou que os deslocamentos possuem "caráter estritamente privado" e decorrem da amizade com o parlamentar, negando irregularidades perante o inquérito do INSS que apura lavagem de dinheiro.
Já Alexandre de Moraes respondeu que nunca viajou em aeronaves do dono do Banco Master.