Classificação de PCC e CV como organizações terroristas pelos EUA pode durar décadas

O enquadramento das maiores facções brasileiras como grupos terroristas pelo governo americano tende a gerar consequências severas por décadas

30 mai 2026 - 11h15

A recente decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as duas maiores facções criminosas do Brasil como organizações terroristas estrangeiras promete desenhar um novo cenário de pressão internacional. Um levantamento histórico aponta que os grupos que entram nessa lista enfrentam restrições profundas e duradouras. Em média, as organizações que conseguiram deixar a relação permaneceram sob o severo monitoramento americano por cerca de 13 anos. Isso sinaliza que o enquadramento anunciado pela gestão de Donald Trump terá efeitos de longo prazo para as redes criminosas brasileiras.

Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo com Donald Trump no Salão Oval, na Casa Branca
Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo com Donald Trump no Salão Oval, na Casa Branca
Foto: Divulgação / Perfil Brasil

O anúncio oficial detalha que a medida passará a valer a partir do dia 5 de junho. Com a iniciativa, as organizações nascidas no Brasil passam a integrar uma estrutura legal robusta, criada originalmente em 1997 sob o mandato do presidente Bill Clinton. Esse mecanismo serve para monitorar e sufocar finanças de entidades consideradas ameaças diretas à segurança nacional americana. Os dados revelam que obter a exclusão dessa lista é um processo extremamente complexo. Desde a fundação do mecanismo, somente 24 grupos conseguiram a remoção da designação terrorista.

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O histórico de permanência na lista restritiva americana

Casos extremos demonstram o quanto a diplomacia e a justiça de Washington mantêm o foco rígido sobre os alvos selecionados. O grupo separatista basco ETA, a seita japonesa Aum Shinrikyo, o Grupo Islâmico do Egito e o movimento judaico Kach figuram como os exemplos mais emblemáticos de isolamento. Essas quatro organizações permaneceram aproximadamente 24 anos e meio sob a mira das sanções americanas até que fossem finalmente retiradas da lista oficial. A exclusão de tais entidades ocorreu em um lote revisado recentemente pelos órgãos de inteligência.

Dos 28 grupos que inauguraram a listagem na década de 1990, quase metade permanece com o mesmo status até hoje. No total, 13 organizações pioneiras seguem classificadas como ameaças ativas. Entre os nomes que continuam com restrições severas estão o Hamas, o Hezbollah, o Sendero Luminoso, que atua no Peru, e o Exército de Libertação Nacional, que opera na Colômbia. Atualmente, o Departamento de Estado americano mantém a classificação ativa para 94 organizações globalmente, número que subirá na próxima semana com as facções brasileiras.

A expansão do combate ao crime na gestão de Donald Trump

A inclusão dos grupos criminosos da América do Sul reflete uma aceleração na estratégia externa da Casa Branca. Desde o retorno do presidente republicano ao poder, em janeiro de 2025, a lista de sanções experimentou uma expansão veloz. Das quase cem organizações monitoradas no presente momento, 27 foram adicionadas nos últimos meses. O movimento faz parte de uma doutrina que aplica ferramentas clássicas de combate ao terrorismo contra redes do narcotráfico e milícias transnacionais.

A determinação de Washington expõe uma clara divergência diplomática entre as capitais dos dois países. O governo liderado por Luiz Inácio Lula da Silva defende que as facções nacionais agem motivadas por lucros econômicos e financeiros. Para Brasília, a legislação local impede a classificação dessas redes como terroristas por falta de motivação ideológica ou política. O presidente brasileiro defendeu na Casa Branca uma cooperação policial focada no rastreamento de lavagem de dinheiro e contrabando.

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Em contrapartida, a oposição brasileira articulou um caminho diferente nos bastidores internacionais. O senador Flávio Bolsonaro se reuniu pessoalmente com o mandatário americano para defender a aplicação das sanções de terrorismo internacional. O parlamentar argumentou que o endurecimento das regras asfixia as conexões das facções no exterior. Com a validação da medida, o cenário de cooperação e as relações bilaterais entram em uma fase de reconfiguração tática.

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