O que estão compartilhando: que o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), mais conhecido como gás de cozinha, estaria com estoque em falta por todo o Brasil. A escassez seria consequência da greve dos caminhoneiros pela alta do diesel e da gasolina.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. Entidades ligadas à distribuição de GLP afirmaram que estão operando normalmente e que não há falta generalizada de gás de cozinha. A paralisação dos caminhoneiros foi suspensa nesta quinta-feira, 19, após a publicação da medida provisória que atende a reivindicações da categoria.
Saiba mais: uma postagem no Instagram alega que faltará gás de cozinha em todas as regiões do País. Segundo a publicação, o desabastecimento será motivado pela paralisação dos caminhoneiros. O conteúdo afirma que o estoque já estaria reduzido e orienta usuários a comprarem enquanto o produto ainda está disponível.
No entanto, o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) afirmou à reportagem que não há falta de gás de cozinha. Ressaltou, ainda, que a distribuição está operando normalmente.
O presidente da Associação Brasileira de Entidades de Classe das Revendas de Gás LP (Abragás), José Luiz Rocha, também disse ao Verifica que não há falta generalizada. De acordo com Rocha, há um certo racionamento pontual de abastecimento por parte de algumas distribuidoras aos revendedores, mas sem relação com os caminhoneiros.
Ele explica que esse racionamento pode ser uma falha logística das distribuidoras ou até mesmo por falta de vasilhames da marca que distribui o produto. "Se há distribuidoras negando abastecimento às revendas, podemos entender como problemas logísticos pontuais", destacou.
Paralisação de caminhoneiros foi suspensa
Uma paralisação de caminhoneiros em diferentes regiões do Brasil vinha sendo articulada por lideranças da categoria. Porém, na quarta-feira, 18, o ministro dos Transportes, Renan Filho, anunciou medidas adicionais para garantir o cumprimento dos pisos mínimos de frete do transporte rodoviário de cargas, uma das reivindicações dos caminhoneiros.
Já na quinta-feira, 19, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva publicou uma Medida Provisória (MP) que endurece as regras do piso mínimo. No mesmo dia, após a publicação da medida, a paralisação nacional articulada por caminhoneiros foi suspensa.
A suspensão foi confirmada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Transporte e Logística (CNTTL). No entanto, entidades ligadas aos caminhoneiros afirmaram que o estado de greve está mantido até a conclusão das negociações sobre pontos da pauta ainda pendentes. A categoria deu um prazo de sete dias ao governo federal.
Como lidar com postagens do tipo: a possível paralisação dos caminhoneiros foi amplamente noticiada por diferentes veículos de imprensa nesta semana. Se a falta de gás de cozinha fosse uma consequência relacionada à greve, a informação certamente seria destacada por jornais - o que não foi o caso. Antes de acreditar em postagens alarmistas, faça pesquisas em fontes confiáveis.