Senador Ciro Nogueira é alvo de busca da PF no caso Master; primo de Vorcaro é preso

7 mai 2026 - 07h41
(atualizado às 08h59)

A Polícia Federal deflagrou nesta ‌quinta-feira nova fase da Operação Compliance Zero, no âmbito de investigação sobre o Banco Master, e o senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi alvo de mandado de busca e apreensão.

Ciro Nogueira, ex-chefe da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro e atual presidente do PP, recebeu propina de R$300 mil por mês para defender interesses ⁠do banqueiro Daniel Vorcaro, segundo as investigações, e apresentou uma emenda que aumentaria ‌para R$1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que ficou conhecida como emenda Master.

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A revelação, a partir de investigações da PF, consta da ‌decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal ‌Federal (STF), que autorizou a nova fase da Operação Compliance Zero.

De acordo ⁠com decisão de Mendonça, Ciro Nogueira "é indicado como destinatário central das vantagens indevidas e como agente público que, em tese, instrumentalizou o exercício do mandato parlamentar em favor dos interesses privados de Daniel Bueno Vorcaro", dono do Banco Master que está preso.

A operação da PF prendeu Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, ‌que, segundo documento do STF, "é apontado como integrante do núcleo financeiro-operacional da organização ‌criminosa".

A assessoria de Nogueira não ⁠respondeu de imediato ⁠a pedido de comentário. A reportagem busca contato com a defesa de Felipe Vorcaro.

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Segundo a ⁠PF, policiais federais cumprem dez mandados de ‌busca e apreensão e ‌um mandado de prisão temporária, expedidos pelo STF, nos Estados do Piauí, de São Paulo, de Minas Gerais e no Distrito Federal.

A decisão judicial autorizou, ainda, o bloqueio de bens, de direitos e de valores no ⁠valor de R$18,85 milhões, de acordo com nota da PF.

O pagamento da vantagem indevida a Ciro Nogueira, segundo a decisão, foi feito por meio de uma transação financeira com "expressivo deságio".

Nas investigações, conforme a decisão, a PF chegou a descobrir que o texto da emenda que ‌elevaria de R$250 mil para R$1 milhão o FGC foi entregue por uma pessoa ligada a Vorcaro ao gabinete de Ciro Nogueira e foi integralmente ⁠reproduzido.

O banqueiro monitorou a iniciativa parlamentar e chegou a dizer a pessoas próximas que, se fosse aprovada, provocaria uma "hecatombe" no mercado, segundo a decisão. A emenda, contudo, não passou no Congresso.

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A operação Compliance Zero investiga crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado, lavagem de dinheiro e organização criminosa no âmbito do Banco Master, que foi liquidado. 

Na véspera, a defesa do banqueiro Daniel Vorcaro entregou à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República os anexos de uma proposta de delação premiada, em um avanço das tratativas do dono do Banco Master para tentar escapar da prisão a partir da confissão de crimes, segundo duas fontes com conhecimento direto das negociações.

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