Votos transmitidos via Starlink serão criptografados, e provedor não conseguirá acessá-los

EM ÁREAS REMOTAS, INFRAESTRUTURA DA EMPRESA DE ELON MUSK SERÁ USADA PARA LEVAR DADOS A CENTRO DE APURAÇÃO DO TSE

1 out 2026 - 12h56
Resumo
É enganoso que o TSE autorizou Elon Musk a transmitir votos do Nordeste para fraudar a eleição. O tribunal contratou a Hughes para fornecer conexão via satélite em áreas remotas de 14 estados do país. Embora utilize a rede da Starlink, a fornecedora atua apenas como meio de transporte e não acessa os dados, que são criptografados de ponta a ponta. Todo o processo de votação, apuração e totalização permanece sob controle exclusivo da Justiça Eleitoral, sem risco de interferência externa.

O que estão compartilhando: que os ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça, presidente e vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), autorizaram a empresa de Elon Musk a transmitir votos do interior do Nordeste. A postagem alerta para um "golpe".

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. O TSE contratou a empresa Hughes Telecomunicações do Brasil Ltda. para fornecer conexão via satélite nas eleições. Embora a Hughes use a rede da Starlink, de Musk, a empresa estrangeira não tem acesso aos dados das urnas, que são criptografados. Além disso, o contrato se estende a todas as regiões do País, não apenas do Nordeste. O TSE reforça que todo o processo de votação e apuração continua sob controle exclusivo da Justiça Eleitoral.

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Saiba mais: O TSE contratou, via pregão eletrônico, a empresa Hughes Telecomunicações do Brasil Ltda, para prestar serviços de telecomunicações por meio de Sistemas Móveis de Transmissão de Dados via Satélite (SMSat). O objetivo é o fornecimento de solução móvel de conectividade para apoio à transmissão de dados.

A vencedora apresentou uma proposta oferecendo terminais satelitais que utilizam a infraestrutura da Starlink. A empresa estrangeira, contudo, não terá contato direto com os dados das urnas, que são criptografados até chegarem ao TSE.

"Os processos de votação, apuração, totalização dos votos e divulgação dos resultados permanecem sob total controle da Justiça Eleitoral", informou o órgão. Os provedores de conectividade atuam exclusivamente como meio de transporte.

Como explicado pelo Tecmundo, a conectividade via Starlink será adotada em regiões de difícil acesso, consideradas mais remotas e com baixa cobertura de operadoras convencionais. A ideia é usar a tecnologia para realizar o envio dos resultados de votação para o sistema do TSE.

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O edital prevê a distribuição de até 1.113 terminais satelitais em 14 Estados nas cinco regiões do País, e não apenas no Nordeste, como alegado na publicação. Conforme o TSE, cabe aos tribunais regionais eleitorais definirem os locais de votação contemplados.

A transmissão acontecerá por meio de Postos Avançados de Transmissão (PATs) que contarão com antenas Starlink e notebooks preparados com o sistema de conexão JE-Connect, elaborado pelo próprio TSE, para enviar os dados "com rapidez e segurança".

Em março, quando estava sendo elaborado o edital para a contratação, o TSE fez uma publicação com esclarecimentos sobre o assunto. "Não há, nem poderia haver, qualquer direcionamento a fornecedor ou tecnologia específica. A modelagem da contratação foi precedida de estudo técnico preliminar, no qual foram analisados diferentes cenários tecnológicos disponíveis no mercado, incluindo soluções baseadas em satélites geoestacionários (GEO), de média órbita (MEO) e de baixa órbita (LEO), além de soluções integradas de conectividade."

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Como funciona a transmissão de dados

Ao término da votação, ainda na seção eleitoral, o presidente da mesa receptora de votos emite o boletim de urna (BU), que é impresso em cinco vias e assinado, e retira do aparelho a mídia de resultado, que deve ser lacrada.

Em seguida, essa mídia é enviada para a sede da zona eleitoral do município, para um ponto de transmissão ou entregue diretamente ao funcionário do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) ou profissional de apoio responsável pela transmissão, caso ela seja feita no próprio local de votação. A definição sobre a forma de recolhimento das mídias e transmissão dos dados cabe ao juiz responsável por cada zona eleitoral.

Quando a transmissão dos dados para o TSE é feita do cartório eleitoral, é utilizado o Sistema Transportador, que opera por uma rede criptografada. Mas as zonas eleitorais podem instalar pontos de transmissão fora de suas sedes, de acordo com as necessidades específicas da cidade ou região. Nesses pontos de transmissão, é usado o sistema de conexão JE-Connect.

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Desenvolvido pela Justiça Eleitoral, esse sistema agiliza a totalização ao eliminar a necessidade de transportar as mídias até os cartórios eleitorais. O sistema é usado por meio de uma rede virtual privada (VPN, na sigla em inglês), que se conecta à rede privada da Justiça Eleitoral.

Os dados transmitidos por ele permanecem criptografados e são enviados somente para portas específicas do sistema da Justiça Eleitoral. "Se o programa transportador não encontrar a assinatura digital que é gerada na urna eletrônica, não vai ler a mídia, o que inviabiliza o acesso a qualquer informação", explicou o TRE de Minas Gerais.

Segundo o TSE, "os provedores de conectividade atuam exclusivamente como meio de transporte, sem acesso ao conteúdo trafegado, que permanece protegido por criptografia". Assim, o uso de Wi-Fi para a transmissão de dados fechados e inacessíveis durante esse trajeto não representa riscos.

A execução dos procedimentos de transmissão que usam esse sistema pode ser acompanhada por fiscais de partidos políticos, federações e coligações, por representantes do Ministério Público e por demais entidades fiscalizadoras.

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Assim que os dados são recebidos pelo TSE, os votos começam a ser totalizados. Após a totalização final, os BUs são publicados no site do órgão e podem ser comparados com boletins gerados na urna de cada seção eleitoral.

Contexto da publicação

Em janeiro de 2025, logo que Donald Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos, Elon Musk foi designado para ficar à frente do recém criado Departamento de Eficiência Governamental (Doge, na sigla em inglês).

Ele deixou o cargo pouco depois, em maio de 2025, para focar na administração das empresas que possui.

É a partir desse cargo ocupado na administração Trump que a publicação aqui checada alega que haverá "fraude" nas eleições. Essa ideia é embasada no fato de que o governo Lula vem acusando o governo Trump de tentar interferir nas eleições presidenciais.

O Palácio do Planalto afirma que o Departamento de Estado americano tentou enviar ao Brasil diplomatas com planos de "colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro, em tentativa inaceitável de interferir no processo político nacional". O Itamaraty negou os vistos.

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O Departamento de Estado dos Estados Unidos, por sua vez, negou que tenha como objetivo interferir na disputa e indicou que vai respeitar o resultado das urnas, desde que o País promova uma disputa "livre e justa".

No ano passado, autoridades americanas promoveram uma ofensiva política para pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) a recuar da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), opositor do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e pai do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário do petista no pleito de 2026.

Uma pesquisa Datafolha divulgada em agosto mostra que metade dos brasileiros vê risco de interferência estrangeira nas eleições.

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