O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) não foi consultada previamente sobre a articulação em torno de uma eventual candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e que ainda está "se ajustando" à decisão.
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O líder do PL e o presidente nacional do União Brasil participaram de um jantar com empresários na cidade de São Paulo. O evento foi organizado pelo grupo Esfera Brasil. Ao falar de Michelle, o dirigente afirmou que a "comparação" com a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, acaba favorecendo Michelle politicamente. "A comparação ajuda muito ela", afirmou.
"Ela está enfrentando um problema muito sério: tem que levar almoço para o Bolsonaro todo dia. Ela não foi consultada sobre essa decisão envolvendo o Flávio e ainda está se ajustando", disse Valdemar. "Quando começarmos a conversar em Brasília, o Flávio conversando com ela, nós conversando com ela, ela vai entrar na campanha para valer."
Segundo Valdemar, Michelle enfrenta um momento delicado, inclusive no plano pessoal, e a família precisa estar unida diante da situação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O dirigente afirmou não acreditar que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) autorizaria Bolsonaro a cumprir eventual pena domiciliar antes das eleições e avaliou que, em caso de derrota, o ex-presidente poderia permanecer afastado da vida pública por mais oito anos.
Valdemar atribuiu parte dos desentendimentos internos à dificuldade de interlocução direta com Jair Bolsonaro. Ainda assim, afirmou que a situação será ajustada com diálogo entre Flávio, Michelle e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Segundo ele, já recebeu recado de Eduardo Bolsonaro afirmando que o ex-parlamentar irá "se acertar" na relação com Tarcísio.
O dirigente reconheceu que pode ter cometido um erro ao declarar, recentemente, que três nomes eram centrais na campanha: o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), Tarcísio e Michelle.
Dirigente faz elogios a Flávio Bolsonaro
Valdemar Costa Neto afirmou ainda que o ex-presidente Jair Bolsonaro tinha "destemperos" ao governar o País e, em tom de brincadeira, declarou que ele "não é uma pessoa normal". Segundo o dirigente, essas características marcaram o estilo do ex-chefe do Executivo e diferenciam seu perfil do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O líder do PL e o presidente nacional do União Brasil participaram de um jantar com empresários na cidade de São Paulo. O evento foi organizado pelo grupo Esfera Brasil.
Valdemar avaliou que Flávio é "equilibrado, preparado e tem carisma", além de "falar bem" e possuir forte prestígio no Rio de Janeiro, Estado que classificou como estratégico para o partido. Disse ainda ter se surpreendido positivamente com o desempenho do senador em São Paulo e afirmou que ele reúne condições para liderar um projeto nacional.
"O Bolsonaro tinha mais dificuldades. Eu brinco muito dizendo, mas é verdade: o Bolsonaro não é uma pessoa normal", disse Valdemar. "Quando a gente via as atitudes dele, o trabalho dele, havia destemperos que o Flávio não tem."
Na avaliação do dirigente, o senador tem atributos para fazer um governo melhor que o pai, justamente por apresentar maior equilíbrio político. Ele defendeu, porém, que a eventual candidatura de Flávio seja ancorada em propostas econômicas consistentes, e não apenas em embates ideológicos. "Não podemos ter só guerra", afirmou.
Valdemar disse que o partido irá insistir para que o senador apresente um programa econômico estruturado, dialogando inclusive com nomes que integraram o governo anterior, como o ex-ministro da Economia Paulo Guedes, a fim de formular propostas com resultados concretos e perceptíveis à população.
No cenário paulista, o presidente do PL afirmou que a definição dos candidatos ao Senado em São Paulo ficará sob responsabilidade de Jair Bolsonaro e do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Entre os nomes cotados, citou o deputado Mario Frias (PL-SP) e Renato Bolsonaro como possíveis postulantes. Mais tarde, durante sua exposição, ele também mencionou o deputado Marco Feliciano (PL-SP).