O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), disse nesta terça-feira, 23, ter encaminhado um ofício à embaixada dos Estados Unidos no Brasil após ser obrigado a remover um vídeo em que mencionava supostas ligações entre o PT e facções criminosas. A exclusão do conteúdo foi determinada pelo vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro André Mendonça.
Em coletiva de imprensa na Câmara dos Deputados, Sóstenes afirmou ter buscado a embaixada para esclarecer a existência das "grandes suspeitas" dos EUA sobre o suposto financiamento de facções a partidos de esquerda na América Latina, citado por ele no vídeo sem provas.
"Jamais falaria ou postaria alguma coisa que não condiz com a verdade. Como não fiz uma afirmação, mas falei que há uma suspeita do governo americano, ninguém melhor do que o próprio governo americano para dizer pública e notoriamente a toda a imprensa e aos brasileiros se há ou não esse tipo de suspeita", afirmou.
Sobre o conteúdo da postagem, ele argumentou que reproduziu referências que considerou "públicas e notórias" em reportagens veiculadas na imprensa, mas que em nenhum momento fez afirmações.
O deputado disse ainda que solicitou uma audiência pública com representantes do governo dos Estados Unidos para tratar do assunto e que cumpriu a decisão judicial de remoção dentro do prazo de 24 horas, embora discorde do entendimento adotado pelo magistrado.
Mendonça entendeu que a utilização da expressão "há grandes suspeitas" não afastava a "a plausibilidade da ilicitude". "Ao contrário, a fórmula retórica empregada confere aparência de cautela à afirmação, mas preserva sua carga desinformativa", escreveu. Além da remoção, o conteúdo não pode ser republicado ou impulsionado em versões equivalentes.
O vídeo postado por Sóstenes sugeria a existência de suspeitas de financiamento de campanhas do Partido dos Trabalhadores (PT) por facções criminosas como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC). O contexto da fala era a recente classificação das duas facções como organizações terroristas pelo governo do presidente Donald Trump.
No vídeo, o deputado começava por rebater o que chamou de boatos espalhados por "presidentes de ONGs" de que Trump "mandaria bombas e mísseis" para comunidades em razão da nova classificação. Ao final, ele associava o tema ao pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apresentando o combate ao crime organizado como uma de suas bandeiras, e convocava os espectadores a divulgarem o conteúdo para que as comunidades conheçam a "verdade dos fatos".