O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) afirmou ser contra bets e alegou que, enquanto ministro da Fazenda, regulou o serviço por inação do governo de Jair Bolsonaro (PL). "Se eu estivesse nos governos anteriores, não teria deixado prosperar os jogos", afirmou o candidato ao Palácio dos Bandeirantes durante sabatina na Jovem Pan. "Bolsonaro ficou quatro anos sem fazer nada a respeito, e isso virou uma indústria."
Haddad observou que a proibição não é possível em âmbito estadual, mas prometeu que, se eleito, não licenciará novos jogos do tipo. Em janeiro deste ano, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), concedeu uma licença para a exploração de jogos lotéricos no Estado. O serviço estreou em julho.
Durante a entrevista, Haddad voltou a dizer que confia na versão de seu motorista sobre a suposta abordagem por uma viatura da polícia. O candidato afirmou não haver contradição entre o depoimento do funcionário e as imagens analisadas pela Secretaria de Segurança Pública.
"Qualquer cidadão tem o direito de registrar um boletim de ocorrência e ter sua versão analisada pela Justiça", disse Haddad, que criticou o governo paulista pela "ansiedade" para desmentir o condutor. "Está esquisita essa história."
Sobre segurança pública, o candidato do PT prometeu um conjunto de medidas para aprimorar a elucidação de crimes violentos no Estado, contando, por exemplo, com o uso de inteligência artificial e com uma integração entre diferentes órgãos de investigação. O candidato afirmou que a estrutura da Polícia Civil do Estado está "tecnologicamente em frangalhos".
Haddad propôs a criação de um gabinete que integre diferentes instâncias de investigação, como polícias estaduais e federais e representantes dos Ministérios Públicos do Estado e da União. O órgão seria gerido pelo governador do Estado. "Se o governador não tiver coragem de assumir para si a responsabilidade, não vai ser secretário ou comandante que vai fazer", disse. Segundo Haddad, Tarcísio rechaça a criação de um órgão do tipo. "O Tarcísio recusa, porque ele acha que fere a autonomia do Estado."
Para a saúde, o postulante ao cargo de governador quer implementar uma gestão de "cuidado integral", se eleito. Segundo o candidato, o modelo vai "unificar serviços hoje fragmentados". "A consulta, o exame e uma eventual cirurgia virão juntos em um pacote que será pago em conjunto, e não por procedimento e procedimento", explicou. Segundo Haddad, o novo modelo de gestão permitirá aliviar a fila de espera dos atendimentos.
O petista também prometeu "passar a limpo" contratos de privatização e de concessão do governo do Estado, citando o pedágio free flow, as concessões de trilhos e a privatização da Sabesp. O candidato voltou a criticar a gestão de Tarcísio na educação e prometeu valorização salarial para os professores. Segundo o ex-ministro da Fazenda, o Estado "errou do ponto de vista pedagógico".