Quem é o deputado estadual Thiago Rangel, preso em operação da PF

Parlamementar foi detido nesta terça-feira, 5, na quarta fase da Operação Unha e Carne; 'Estadão' aguarda manifestação do deputado

5 mai 2026 - 12h13

RIO - Preso nesta terça-feira, 5, na quarta fase da Operação Unha e Carne, o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) construiu sua carreira política no Norte Fluminense e se tornou aliado do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) Rodrigo Bacellar (União), alvo de suspeitas de vazamento de informações de uma operação policial contra o Comando Vermelho.

A reportagem pediu manifestação do parlamentar. O espaço está aberto para posicionamento.

Publicidade

Eleito deputado estadual em 2022, com 31,1 mil votos, Rangel teve um aumento patrimonial de 700% em apenas dois anos após deixar o mandato de vereador em Campos dos Goytacazes, de acordo com dados da Justiça Eleitoral.

Thiago Rangel foi eleito em 2022 com 31.175 votos.
Thiago Rangel foi eleito em 2022 com 31.175 votos.
Foto: Divulgação/Alerj / Estadão

Em 2020, o então vereador declarou um patrimônio de R$ 224 mil. Dois anos depois, declarou ter R$1,9 milhão. A ascensão financeira meteórica chamou a atenção das autoridades.

Em outubro de 2024, Rangel foi alvo da Operação Posto de Midas, da Polícia Federal, sob suspeita de fraudar licitações e lavar dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis.

Segundo a PF, a Receita Federal e o Ministério Público do Rio, o parlamentar liderava um esquema que dispensava licitações para favorecer as próprias empresas. Os contratos, de acordo com os investigadores, eram firmados com sobrepreço e usados para desviar recursos públicos, que depois eram ocultados por meio da movimentação financeira da rede de postos.

Publicidade

A corporação apontou em 2024 que ele mantinha uma rede com 18 postos de combustíveis, além de 12 empresas identificadas na investigação.

Antes de ocupar o posto de deputado estadual, Rangel ocupou cargos no Instituto de Pesos e Medidas (Ipem-RJ) e no Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Detro-RJ).

Investigação da Polícia Federal

A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira, a quarta fase da Operação Unha e Carne, que apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de fraudar contratos de compra de materiais e de prestação de serviços, incluindo obras de reforma, no âmbito da Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro. Rangel foi um dos alvos.

A investigação descortinou um possível esquema de direcionamento das contratações realizadas por escolas estaduais para empresas previamente selecionadas e vinculadas ao crime organizado.

Segundo a apuração da PF, parte dos recursos públicos desviados era canalizada para contas ligadas a uma rede de postos de combustíveis controlada pelo grupo criminoso. Nesse ambiente, o dinheiro era incorporado ao fluxo financeiro dos estabelecimentos, sendo combinado com receitas legítimas para ocultar sua origem.

Publicidade
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações