A coligação de Lula pediu ao TSE a suspensão por 48 horas do canal de WhatsApp "Tropa do Flávio", ligado a Flávio Bolsonaro, sob o argumento de isonomia eleitoral. O pedido busca o mesmo rigor aplicado ao canal petista "Exército do Lula", que foi suspenso por falta de registro prévio na Justiça Eleitoral. Segundo a defesa de Lula, manter a ferramenta adversária ativa gera assimetria na disputa, visto que o canal governista também incluiu seu link oficial de forma tardia perante o tribunal.
BRASÍLIA - A coligação do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o canal de WhatsApp "Tropa do Flávio" seja suspenso por 48 horas, ou pelo mesmo período que o canal "Exército o Lula" ficou fora do ar.
A campanha de Lula alega que é preciso conferir o mesmo tratamento aos dois canais para proteger a isonomia e paridade de armas no processo eleitoral.
O argumento é que o canal "Exército do Lula", administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG), sofreu punição por não ter sido registrado como um meio oficial da campanha do petista. Enquanto isso, o canal "Tropa do Flávio", ligado à campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), permanece ativo apesar de ter sido registrado na Justiça Eleitoral em momento posterior.
A campanha de Flávio havia registrado na Justiça Eleitoral o site www.tropadoflavio.com.br, mas o link do canal no WhatsApp não havia sido incluído entre os meios de comunicação oficiais da campanha. O canal tem 1,7 milhão de seguidores. O dado foi inserido na última terça-feira, 13.
Os advogados da coligação de Lula argumentam que manter o canal ligado a Flávio ativo enquanto o canal de apoiadores do petista continua silenciado gera uma assimetria prejudicial durante o segundo turno das eleições presidenciais.
"Não é compatível com a integridade do processo eleitoral que a aplicação de medidas restritivas varie conforme a identidade política do beneficiário da ferramenta digital", diz a petição.
Os advogados também sustentam que a Justiça Eleitoral "não pode admitir que o rigor empregado contra um dos polos da disputa presidencial seja substituído por tolerância quando a controvérsia envolve ferramenta de comunicação vinculada ao polo adversário".
No último domingo, 11, o presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, determinou a suspensão do canal "Exército de Lula" a pedido da campanha de Flávio. No mesmo dia, em outro processo, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu o funcionamento do grupo e submeteu o caso para apreciação imediata do plenário da Corte.
Na última terça-feira, 13, Nunes Marques derrubou a decisão de Cueva e voltou a determinar a suspensão do canal, condicionando sua liberação ao registro na Justiça Eleitoral em até 48 horas. O registro foi feito, mas Nunes Marques manteve o prazo de 48 horas para o canal voltar ao ar. O grupo tem cerca de 4,2 milhões de seguidores e foi criado para mobilizar apoiadores de Lula.