'Primeiro ato será anistia ampla, geral e irrestrita', diz Caiado ao ser oficializado pré-candidato à Presidência pelo PSD

Escolhido entre Ratinho Jr e Eduardo Leite, ele se põe como 'não radical' e nega ser terceira via

30 mar 2026 - 19h30
(atualizado às 19h34)
Ronaldo Caiado é oficializado pré-candidato do PSD e cita anistia a Bolsonaro como 1º ato na Presidência
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Ronaldo Caiado foi oficializado pré-candidato à presidência da República pelo Partido Social Democrático (PSD) nesta segunda-feira, 30. Em coletiva de imprensa na sede do partido, em São Paulo, ele repetiu diversas vezes que espera acabar com a polarização política, se coloca como um candidato 'não radical', e ressalta que seu primeiro ato, se eleito, será assinar uma anistia ampla, geral e irrestrita aos condenados pelos atos antidemocráticos do 8 de Janeiro --incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso acusado de liderar uma tentativa de golpe de Estado.

Para Caiado, assim como "devolveu Goiás aos goianos", onde foi reeleito governador de Estado, ele também pretende devolver "o Brasil aos brasileiros". Ainda não há indicações sobre quem pode ser o seu vice na chapa, e ele diz que rodará o Brasil junto com Kassab, o presidente do partido, para encontrar a pessoa ideal. 

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Enquanto foge da polarização, Caiado também diz que derrotar o Partido dos Trabalhadores (PT) do presidente Lula será fácil, e que essa será uma eleição crucial para fazer com que "o PT não volte mais".  Quando questionado sobre o bolsonarismo, Caiado também se posiciona sem dimensionar a força do movimento político como algo já dado.

Ronaldo Caiado, candidato a presidente da República pelo PSD
Ronaldo Caiado, candidato a presidente da República pelo PSD
Foto: Taba Benedicto/Estadão / Estadão

Caiado vê Flávio Bolsonaro, sucessor do ex-presidente e preferido da direita conforme indicam as pesquisas eleitorais até o momento, como alguém inexperiente e que arranja brigas ao invés de buscar diálogo. Para ele, tanto a família Bolsonaro quando a esquerda de Lula já tiveram suas chances e cometeram erros -- erros, esse, que não quis pontuar nominalmente durante a coletiva.

O ainda governador de Goiás, que promete renunciar ao cargo na terça-feira, 31, não quis comentar sobre futuras alianças com o PL -- como em um possível cenário de segundo turno entre Flávio e Lula. Ele diz que no Brasil há uma mania de viver o primeiro turno como se já fosse o segundo, e que quer pensar no agora. "Vamos primeiro viver o debate do primeiro turno. Vamos deixar o processo correr como ele deve ser. Todos somos candidatos a um primeiro turno", diz.

Enquanto ele diz isso, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, alega ter "suas dúvidas" sobre a sequência da candidatura de Caiado. "Todos nós sabemos que podem ter quantos candidatos forem para a Presidência da Republica, que no segundo turno vai estar Flávio Bolsonaro e Lula. Tenho certeza que o Caiado, que é de direita, vai nos acompanhar. O ideal pra nóss é que todos nos acompanhassem no primeiro turno, para dar chance pra nós ganharmos no primeiro turno. Se tornos nós nos unirmos. Se separarmos, Lula e Flavio no segundo turno. E o Caiado é um grande candidato, tem uma grande aprovação. Não tenho dúvida que o Flávio, como presidente da República, vai convidar todos esses governadores que tiveram sucesso para fazer parte do governo", afirmou Valdemar durante outro evento, também nesta segunda. 

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A confiança de Caiado está no debate, nas propostas. Para além da polarização, ele acredita ser o candidato com as melhores ideias. Considerando suas primeiras declarações publicas como futuro candidato, ao longo dos próximos meses ele deve seguir com as bandeiras da segurança pública, combate ao crime organizado, explorações de terras raras, educação de qualidade e da inovação tecnológica -- com ênfase ao incentivo ao uso da Inteligência Artificial.

'Privilégio ter uma escolha difícil'

Gilberto Kassab, presidente do PSD, tinha três possíveis nomes para lançar para a presidência. Ratinho Junior, governador do Paraná, desistiu de concorrer ao Planalto. Ficaram, então, Caiado, de Goiás, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul. A decisão por Caiado, o mais experiente entre eles, aconteceu em reunião conjunta entre eles na noite deste domingo, conforme revelaram.

Leite se decepcionou com a escolha pelo companheiro de sigla. Em vídeo publicado em suas redes sociais no inicio do dia, Leite diz estar "desencantado" e vê a escolha de Caiado justamente como algo4d que mantém um ambiente de "polarização radicalizada" no Brasil. "Embora essa decisão desencante a mim, como a tantos outros brasileiros, pela forma como insistem em fazer política no nosso País, eu não vou discutir essa decisão. Mas isso não significa ausência de convicção", disse Leite.

"O Brasil está cansado, muito cansado, de uma disputa que aprisiona o debate entre os extremos. Com toda franqueza, a decisão tomada pelo partido tende a manter esse ambiente de polarização radicalizada que tanto limita o nosso País. Eu acredito em outro caminho", acrescentou o governador na sequência.

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Sobre o vídeo, Kassab diz que é uma manifestação do que o político é: um jovem muito bem preparado, que quer fugir da polarização, que entende que o Brasil tem saída. "Se você percebe o que ele falou, é o que o Ronaldo Caiado falou aqui agora. Então, há convergências", complementa, sem criticar o posicionamento do governador do Rio Grande do Sul e agradecendo por sua participação.

O primeiro turno das eleições neste ano acontecem em 4 de outubro. Eleitores elegerão um novo presidente da República, assim como governadores, senadores, deputados federais e estaduais/distritais. O segundo turno está previsto para 25 de outubro, e só acontece caso nenhum candidato à presidência consiga mais de 50% dos votos válidos no primeiro turno. O mesmo vale para governadores, nos respectivos Estados.

Fonte: Portal Terra
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