Para Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL), Eduardo Bolsonaro "pode ter se enganado" ao falar que estaria gravando um evento nos Estados Unidos para mostrar ao pai, Jair Bolsonaro. Isso porque o ex-presidente está em prisão domiciliar temporária, onde o uso de celulares ou outros meios de comunicação externa é estritamente proibido. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) pede explicações sobre a questão, pois o descumprimento das regras pode levar Bolsonaro de volta à Papudinha.
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"Tenho certeza de que o Bolsonaro não verá [o vídeo]. A presidente Michelle esteve no partido na semana passada e ela me falou que não entra telefone lá de jeito nenhum. Bolsonaro, nesse aspecto, sempre respeitou a lei", complementa Valdemar, durante coletiva de imprensa após evento em São Paulo nesta segunda-feira, 30.
A intimação feita por Moraes foi assinada no último domingo, 29, e publicada no sistema do STF nesta segunda-feira após Eduardo Bolsonaro dizer: "Vocês sabem por que eu estou fazendo esse vídeo? Porque eu estou mostrando para o meu pai e eu vou provar para todo mundo no Brasil que você não pode calar um movimento de forma injusta, tirando o seu líder, Jair Messias Bolsonaro. Muito obrigado”, disse durante participação no evento Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC). A defesa do ex-presidente tem até 24 horas para se manifestar.
Bolsonaro estava preso na sala de Estado-Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecida como 'Papudinha', no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Em meio a queixas sobre seu estado de saúde, o ex-presidente foi internado no último dia 13 após passar mal em sua cela. Com a situação delicada, sua defesa solicitou a concessão da prisão domiciliar humanitária pela quinta vez. Agora autorizada, os dias de regime diferenciado passaram a valer na última sexta-feira, quando ele teve alta.
Bolsonaro terá que cumprir a prisão domiciliar integralmente dentro de sua casa, usando tornozeleira eletrônica para fins de monitoramento. Além disso, poderá receber visitas de seus filhos e advogados em horários pré-estabelecidos, assim como terá atendimento médico. Celulares ou qualquer outro meio de comunicação externa são proibidos, assim como filmagens, gravações de áudio e acesso a redes sociais, mesmo que por intermédio de terceiros.
Demais visitas a Bolsonaro estão suspensas "para resguardar o ambiente controlado necessário, principalmente para se evitar o risco de sepse e controle de infecções, conforme anteriormente salientado", descreve Moraes. Sepse, no caso, se refere a um conjunto de manifestações graves que ocorrem em todo o corpo a partir de uma infecção.
Se 'sair da linha' e descumprir as regras, Bolsonaro pode ter retorno imediato ao regime fechado ou, a depender de sua situação de saúde, ao hospital penitenciário, conforme determinado por Moraes na última terça-feira, 24.
Valdemar, empresários e xadrez político
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, participou da segunda edição do evento 'Cenários do Brasil 2026', da Lide Global, nesta segunda-feira, no Hotel W em São Paulo. O encontro reuniu 300 empresários filiados à Lide, divulgado como um momento para "o diálogo com o setor produtivo brasileiro sobre o processo eleitoral e perspectivas empresariais para o país", considerando o ano de eleições gerais. Eventos similares promovidos pela Lide, grupo empresarial que tem o ex-governador João Dória como fundador, irão ocorrer até julho com outros presidentes de partidos -- como já ocorreu com o presidente do PT, Edinho Silva, e acontecerá com Baleia Rossi, presidente do MDB, e Kassab, do PSD.
O evento acontece em meio a semanas movimentadas para o PL. O ex-presidente Jair Bolsonaro teve alta hospitalar na última sexta-feira, 27, iniciando seu período de 90 dias em prisão domiciliar humanitária, conforme autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Flávio Bolsonaro, nome escolhido para suceder o pai, tem ganho maior projeção entre os eleitores, aparecendo em empate técnico em um eventual segundo turno com Lula (PT), conforme apontam últimas pesquisas eleitorais. Isso ainda sem a definição de um vice-presidente para a chapa, nem no caso da direita, nem na esquerda.
Cláudio Castro (PL), figura importante do partido no Rio de Janeiro, deixou o cargo de governador do Rio de Janeiro na última segunda-feira, 23. Ele renunciou e, na sequência, se tornou inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em nota assinada por Valdemar, o Partido Liberal manifestou "seu firme e irrestrito apoio" a Castro, "reafirmando plena confiança em sua trajetória pública e na correção de seus atos". "Diante da decisão do TSE, o partido atuará com determinação para reverter esse cenário, convicto de que a justiça prevalecerá. Cláudio Castro segue como nosso candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro, na certeza de que não só ficará elegível, como será eleito", finalizou.
Há duas cadeiras em jogo para o Senado pelo Estado do Rio de Janeiro. Além de Castro, o segundo nome cotado para a disputa pelo PL é o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella.
A disputa segue sendo desenhada, assim como a pelos governos de Estado, tendo em vista o prazo de desincompatibilização – onde políticos do Executivo precisam renunciar ao posto para concorrerem a novos cargos. A data limite está próxima: 4 de abril.
Com relação aos governos de Estado, em São Paulo, o apoio do PL é a Tarcísio de Freitas. Por mais que Bolsonaro e Valdemar tenham sinalizado que ele se filiaria ao partido para concorrer à reeleição, ele segue no Republicanos. O vice-governador, Felício Ramuth, trocou o PSD de Gilberto Kassab pelo MDB de Baleia Rossi para essa nova eleição. Valdemar tentou reivindicar a vaga de vice ao seu partido, mas foi rebatido por Tarcísio.
No Paraná, o clima segue tenso. O senador Sergio Moro deixou o União Brasil e se filiou ao Partido Liberal a convite de Flávio Bolsonaro para tentar o governo paranaense. O problema é que Moro teve reveses com o clã Bolsonaro que não foram esquecidos por parte dos aliados. Deu racha. Encabeçada pelo presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), Marcel Henrique Micheletto, a filiação de Moro causou uma debandada em massa de prefeitos filiados ao PL no Estado -- que indicam manter o apoio a Ratinho Jr (PSD), o atual governador que tentará a reeleição após desistir de tentar a Presidência da República. Conforme divulgou em suas redes sociais, 53 prefeitos do Paraná devem se desfiliar do PL em decisão conjunta.
Ainda nesta segunda-feira, em evento paralelo durante a tarde, Ronaldo Caiado, governador de Goiás, será oficializado como pré-candidato à presidência pelo Partido Social Democrático (PSD). Ele une forças a Ratinho Jr e Gilberto Kassab, e deixa Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, desencantado. Leite, que também integra a sigla, pleiteava a indicação para concorrer ao Palácio do Planalto nas eleições deste ano. Em meio ao "bate-cabeças" entre forças da direita, o PSD também apoia o governador Tarcísio de Freitas em São Paulo e dizem que estarão na "linha de frente" da campanha.
Valdemar tem dúvidas de que essa candidatura se mantenha. Para o presidente do Partido Liberal, não há outro caminho: "Todos nós sabemos que podem ter quantos candidatos forem para a Presidência da Republica, que no segundo turno vai estar Flávio Bolsonaro e Lula".
"Tenho certeza que o Caiado, que é de direita, vai nos acompanhar. O ideal pra nós é que todos nos acompanhassem no primeiro turno, para dar chance pra nós ganharmos no primeiro turno. Se tornos nós nos unirmos. Se separarmos, Lula e Flávio no segundo turno. E o Caiado é um grande candidato, tem uma grande aprovação. Não tenho dúvida que o Flávio, como presidente da República, vai convidar todos esses governadores que tiveram sucesso para fazer parte do governo", complementou Valdemar nesta segunda.
O primeiro turno das eleições neste ano acontecem em 4 de outubro. Eleitores elegerão um novo presidente da República, assim como governadores, senadores, deputados federais e estaduais/distritais. O segundo turno está previsto para 25 de outubro, e só acontece caso nenhum candidato à presidência consiga mais de 50% dos votos válidos no primeiro turno. O mesmo vale para governadores, nos respectivos Estados.