Presidente critica decisão de Nunes Marques de derrubar canal 'Exército do Lula' no WhatsApp

Ministro Nunes Marques atendeu pedido de Flávio Bolsonaro para plataforma derrubar. Segundo ele, estrutura é utilizada para replicar conteúdo 'inverídico'; Lula disse que o partido tentará reverter a decisão

11 out 2026 - 15h01
(atualizado às 15h26)
Resumo
O presidente Lula criticou a decisão do ministro Kássio Nunes Marques, do TSE, que mandou suspender o canal de WhatsApp "Exército do Lula", com mais de 3 milhões de seguidores. A medida atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, sob alegação de desinformação em massa. Lula classificou a ação como intromissão indevida e tendenciosa da Justiça Eleitoral, afirmando que o partido irá recorrer para reverter o bloqueio, enquanto administradores negam a veiculação de conteúdos falsos.

BRASÍLIA- O presidente e candidato à reeleição pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva criticou a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kássio Nunes Marques, que atendeu a um pedido da campanha do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e determinou, neste domingo, 11, a derrubada do canal de WhatsApp "Exército do Lula".

Em conversa com jornalistas durante ato em São Paulo, o presidente Lula criticou a decisão e afirmou que tem percebido decisões "tendenciosas" contra sua candidatura.

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"Não vamos aceitar intromissão indevida da Justiça Eleitoral na eleição", disse o presidente.

Lula criticou a postura de Nunes Marques e disse que o partido tentará reverter a decisão.

"Não é possível que o presidente da Justiça Eleitoral não tenha um comportamento civilizado, republicano, de permitir que as eleições fluam sem interferência da Justiça", afirmou.

O presidente acrescentou ainda que seus apoiadores estão com um desempenho positivo nas redes, e afirmou que seus conteúdos têm sido alvo de maneira injustificada.

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"Eu vejo que nas redes sociais nós estamos ganhando o jogo. Sei que nosso povo está muito ativo, está trabalhando demais, postando muita coisa. E é por isso que eu estou desconfiado do comportamento da Suprema Corte Eleitoral que tem bloqueado muita gente nossa e tem permitido que as ações deles continuem executando. Nós vamos hoje entrar na Justiça com um pedido do nosso partido, da nossa força, para que a gente equilibre esse jogo."

A medida de Nunes Marques determina que o WhatsApp suspenda o canal em até três horas após a notificação. Nunes Marques afirma que o canal transmitia "a milhões de pessoas, sob comando único" conteúdos que o TSE já reconheceu como "inverídicos". O Estadão acessou o canal "Exército do Lula" no WhatsApp e não localizou publicações com os conteúdos citados na ação. (leia mais abaixo)

Presidente e candidato à reeleição pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva, em ato na Avenida Paulista.
Presidente e candidato à reeleição pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva, em ato na Avenida Paulista.
Foto: Daniel Teixeira/Estadao / Estadão

O canal Exército do Lula é administrado pelo deputado federal André Janones e tem cerca de 3 milhões de seguidores. Nos últimos dias, o canal tem promovido uma alta de engajamento em conteúdos de apoio a Lula.

"A liberdade de expressão não é salvo-conduto para o ilícito eleitoral, e a paridade de armas entre os candidatos não sobrevive à conversão de uma ferramenta de comunicação em instrumento de desinformação em massa às vésperas do pleito", diz a decisão de Nunes Marques.

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O ministro afirmou que a mobilização digital é lícita, mas destacou que a resolução eleitoral "não tolera que a estrutura de mobilização seja empregada para fins ilícitos, entre os quais a difusão coordenada de fatos sabidamente inverídicos em desfavor de candidato".

A medida atende a um pleito da campanha de Flávio, que argumentou que o canal é utilizado para transmitir conteúdos relacionados à retirada de Nossa Senhora Aparecida do posto de Padroeira do Brasil, outros de que o senador seria "envolvido com a milícia", e materiais relacionados à redução de aposentadoria, pensões e benefícios.

Em nota a campanha de Lula disse que "causa estranheza e revolta a decisão do ministro Nunes Marques. A campanha vai analisar os recursos jurídicos cabíveis."

Mais cedo, antes da decisão, um dos coordenadores da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, Sidônio Palmeira, já havia classificado como um "absurdo", a representação movida pelo adversário contra o canal.

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"O exército do presidente Lula está com 3,2 milhões de pessoas, e vai ampliar muito mais, e eles estão colocando como uma força desproporcional. É mais uma demonstração que eles estão com os poderosos em vez de estarem nas ruas ou nas redes", afirmou.

Conteúdos citados não aparecem no canal

O Estadão acessou o canal "Exército do Lula" no WhatsApp e não localizou publicações com os conteúdos citados na ação.

O canal foi criado na segunda-feira, 5, e ao longo da primeira semana, o deputado focou em ampliar o número de participantes, pautando como "missão" para os seguidores angariar novos membros, assistir a lives e engajar em conteúdos da campanha de Lula.

Nos primeiros áudios enviados no canal, Janones explica que a primeira semana seria dedicada a ampliar o número de membros.

Na quinta-feira, 8, Janones postou uma mensagem sobre a circulação de notícias falsas: "Só pra constar: esse canal não divulgará uma única fake news até o final da campanha! Quem tem os fatos não precisa da mentira! Eles estão desesperados alegando que estou divulgando fake news por aqui, sendo que ainda estamos só na fase de recrutamento, nada foi divulgado ainda! Isso é porque já sentiram o tamanho da nossa força!"

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kássio Nunes Marques.
Foto: Wilton Juniro/Estadão / Estadão

Nunes Marques atropela corregedor

Flávio já havia movido uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) contra o grupo de WhatsApp. No último sábado, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, pediu que Flávio entregasse informações complementares para a análise da ação e fixou prazo de 72 horas.

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Na decisão deste domingo, Nunes Marques afirmou, no entanto, que a presente ação "não se confunde com o das representações e das ações de investigação ajuizadas contra o autor das publicações".

"A finalidade deste procedimento é examinar se o provedor cumpre as obrigações que declarou a esta Presidência, à luz de conteúdos cuja ilicitude já foi reconhecida por este Tribunal em decisões jurisdicionais", justificou o ministro.

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