A disputa eleitoral brasileira repercute no exterior. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e líderes da esquerda italiana declararam apoio à reeleição de Lula, ressaltando a defesa da democracia contra o autoritarismo. Em contrapartida, o senador Flávio Bolsonaro, que já contava com o suporte de chefes de Estado como Javier Milei, recebeu o endosso formal de ex-líderes conservadores latino-americanos do Grupo Liberdade e Democracia, que defendem a alternância de poder no país.
BRASÍLIA - O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, do Partido Socialista (PSOE), manifestou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Brasil.
Aliado político de Lula, Pedro Sánchez foi o primeiro chefe de governo europeu atualmente no poder a se expressar abertamente a favor de uma vitória do petista contra o candidato de oposição, senador Flávio Bolsonaro (PL).
Por meio de redes sociais, Sánchez afirmou que o petista representa um "Brasil que luta contra a injustiça e a desigualdade, que amplia direitos e que defende a democracia contra o autoritarismo".
Sánchez vive uma crise política e habitacional no país e convocou eleições antecipadas para o fim de novembro. Antes, os espanhóis iriam às urnas apenas em 2027.
A publicação de Sánchez ocorreu nesta quarta-feira, dia 14, mesmo dia da aprovação no Senado da escala 6 x 1, uma bandeira eleitoral do petista.
Lula representa un Brasil que lucha contra la injusticia y la desigualdad, que amplía derechos, y que defiende la democracia frente al autoritarismo.
Ese Brasil merece seguir avanzando hacia un futuro de esperanza y progreso.
Por eso, todo nuestro apoyo a @LulaOficial .
Força!…
— Pedro Sánchez (@sanchezcastejon) October 14, 2026
Na Itália, um grupo de políticos de esquerda também veio a público defender a reeleição do petista no Brasil. Em nota, eles condenaram o que chamaram de interferências dos Estados Unidos e lembraram a tentativa de golpe de Estado, em 2022, pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
O documento é assinado por Angelo Bonelli, porta-voz nacional dos Verdes - Aliança Verde e de Esquerda; Giuseppe Conte, presidente do Movimento Cinco Estrelas; Nicola Fratoianni, secretário da Esquerda Italiana - Aliança Verde e de Esquerda; e por Elly Schlein, secretária do Partido Democrático.
"Condenamos veementemente essas interferências: somente o povo brasileiro decide o destino do Brasil", disseram os italianos no comunicado com apelo por votos em Lula. "Defender a democracia brasileira significa defender a democracia para todos."
Por outro lado, Flávio Bolsonaro recebeu manifestação de apoio de mais lideranças políticas da direita latino-americana, todos já fora do poder. Eles integram o Grupo Liberdade e Democracia.
O candidato do PL, que liderou os votos no primeiro turno sobre o petista, já contava com o engajamento ativo na campanha de presidentes no cargo de países vizinhos, como Javier Milei (Argentina) e Abelardo de la Espriella (Colômbia).
Agora, assinaram uma nota pública em defesa da mudança de poder no Brasil os seguintes nomes da direita regional:
- Iván Duque, ex-presidente da Colômbia
- Mario Abdo Benítez, ex-presidente do Paraguai
- Guillermo Lasso Mendoza, ex-presidente do Equador
- Luis Fortuño, ex-governador de Porto Rico
- Mariano Rajoy, ex-presidente da Espanha
- Mireya Moscoso, ex-presidente do Panamá
- Vicente Fox, ex-presidente do México
- Jamil Mahuad, ex-presidente do Equador
- Juan Guaidó, ex-presidente encarregado da Venezuela
- Mauricio Macri, ex-presidente da Argentina
- Jorge Tuto Quiroga, ex-presidente da Bolívia
"Acreditamos em um Brasil que avance pelo caminho da liberdade, da segurança, do crescimento econômico e da geração de oportunidades para todos os seus cidadãos. Consideramos fundamental promover políticas que fortaleçam as instituições democráticas, estimulem o investimento, impulsionem a iniciativa privada e contribuam para a prosperidade das famílias brasileiras", afirmaram eles.
"O Brasil desempenha um papel determinante no presente e no futuro da América Latina. Sua estabilidade democrática, seu desenvolvimento econômico e sua liderança regional são essenciais para a construção de um continente mais livre, seguro e próspero", disse o grupo de direita.