Publicações nas redes sociais tiraram de contexto uma fala de Lula para alegar falsamente que ele atacou o sistema eleitoral e o TSE ao citar "falcatrua". Na versão integral do discurso em Teresina, o petista criticava possíveis interferências externas no pleito, mirando especificamente os Estados Unidos de Donald Trump, e não a corte eleitoral brasileira. O governo já havia acusado autoridades americanas de tentar semear dúvidas sobre a integridade das urnas no país.
O que estão compartilhando: vídeo em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirma: "que não venha o tribunal eleitoral querer fazer falcatrua porque a gente sabe do que eles são capazes". Junto da gravação, circula a alegação de que ele atacou o sistema eleitoral e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: falta contexto. As publicações editaram a fala de Lula para mostrar apenas um pequeno trecho da declaração.
O discurso é de um comício em Teresina, no Piauí. No trecho completo, que pode ser assistido aqui, o candidato diz: "Que não venham os americanos querer influir nas nossas eleições, que não venha o tribunal eleitoral querer fazer falcatrua, porque a gente sabe o que eles (americanos) são capazes. E, se vierem se meter aqui, a gente vai derrotá-los, vai derrotar os americanos e vai derrotar quem se meter."
Ao Verifica, a assessoria de imprensa da campanha de Lula afirmou que a fala sobre falcatruas se refere a qualquer tentativa de interferência externa no processo eleitoral brasileiro. "O presidente não se refere ao TSE, corte máxima da regulamentação do nosso processo eleitoral", disse a assessoria do candidato.
O autor do post viralizado no X foi procurado, mas não respondeu.
Saiba mais: durante o comício realizado no dia 9 de setembro, Lula menciona o candidato à reeleição do governo do Piauí, Rafael Fonteles (PT). O presidente diz que o Estado "está nos ensinando a fazer inteligência artificial em português".
Ele se refere à plataforma de inteligência artificial SoberanIA, desenvolvida pelo governo do Piauí com base de dados em português e com o objetivo de promover a autonomia tecnológica nacional e a inclusão digital.
Em seguida, o presidente afirma que "a gente não quer ser refém de chinês, não quer ser refém de americano, não quer ser refém de francês, a gente quer ser refém de piauiense". Defende, então, que o brasileiro seja "refém de brasileiro" e acrescenta: "Nós queremos provar que o brasileiro não deve nada a ninguém".
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É nesse contexto que o presidente insere a crítica a uma suposta intenção americana de interferir nas eleições brasileiras. "O Trump que se meta no país dele, aqui é um problema nosso, de brasileiros, e ninguém tasca", disse.
O governo Lula vem acusando o governo de Donald Trump de tentar interferir nas eleições presidenciais. O Palácio do Planalto afirma que o Departamento de Estado americano tentou enviar ao Brasil dois diplomatas com planos de "colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro, em tentativa inaceitável de interferir no processo político nacional". O Itamaraty negou os vistos.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos negou que tenha como objetivo interferir na disputa e indicou que vai respeitar o resultado das urnas, desde que o País promova uma disputa "livre e justa".
No ano passado, autoridades americanas promoveram uma ofensiva política para pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) a recuar da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), opositor de Lula e pai do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário do petista nas eleições.
Uma pesquisa Datafolha divulgada em agosto mostra que metade dos brasileiros vê risco de interferência estrangeira nas eleições.