Por que o Rio de Janeiro terá duas eleições para governador este ano?

Estado terá eleições indireta e direta para o governo em 2026; entenda o cenário

26 mar 2026 - 04h57
Ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro anunciou sua saída do governo um dia antes da decisão que o tornou inelegível até 2030
Ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro anunciou sua saída do governo um dia antes da decisão que o tornou inelegível até 2030
Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

O Rio de Janeiro terá duas eleições neste ano por uma situação atípica: o estado está sem vice-governador desde maio de 2025, quando Thiago Pampolha renunciou ao cargo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE).

A primeira eleição será indireta. O ex-governador Cláudio Castro (PL) já havia sinalizado que deixaria o cargo para disputar o Senado e formalizou a renúncia em 23 de março de 2026. A decisão ocorreu um dia antes do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral, que, por 5 votos a 2, condenou Castro por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, além de declará-lo inelegível até 2030. 

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De acordo com a acusação, a Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro teriam sido utilizadas para criar mais de 27 mil cargos comissionados irregulares, com o objetivo de empregar cabos eleitorais e favorecer a reeleição do então governador.

Sem vice-governador, a Constituição determina a realização de uma eleição indireta pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, que deve ocorrer em até 30 dias. Nessa votação, os deputados estaduais escolhem um “governador-tampão” para comandar o estado até o fim do mandato.

Esse tipo de governador é eleito de forma indireta para ocupar o cargo temporariamente em casos de vacância, como renúncia, cassação ou morte, tanto do titular quanto do vice. A legislação prevê que a escolha ocorra em até 30 dias após a saída do chefe do Executivo.

Até a realização da eleição indireta, o desembargador Ricardo Couto de Castro assumiu interinamente o governo do Rio de Janeiro após a renúncia de Cláudio Castro. Magistrado de carreira, ele ocupa o primeiro lugar na linha sucessória estadual e permanecerá no cargo até a escolha do novo governador.

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TSE condena Cláudio Castro à inelegibilidade até 2030
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Próxima eleição para o governo será decidida nas urnas em 2026

A definição do próximo governador ocorrerá por meio de eleição direta. Em outubro de 2026, os eleitores irão às urnas para escolher quem comandará o estado no período de 2027 a 2030.

Entre os nomes já colocados, o prefeito Eduardo Paes (PSD) confirmou que pretende disputar o cargo novamente -- ele foi derrotado por Wilson Witzel em 2018 -- e anunciou Jane Reis (MDB) como vice em sua chapa. Na sequência, o PL oficializou o deputado federal Douglas Ruas como pré-candidato, tendo Rogério Lisboa (PP) como nome indicado para vice.

Também aparece na disputa o partido Missão, criado a partir do Movimento Brasil Livre (MBL), que lançou como pré-candidato o bombeiro Rafael Luz, figura que vem ganhando visibilidade nas redes sociais como influenciador digital.

Já o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado confirmou o nome de Cyro Garcia. Aos 71 anos, o ex-bancário, historiador e professor tentará o governo pela segunda vez, após já ter disputado diferentes cargos eletivos, incluindo a prefeitura do Rio, em outras dez ocasiões.

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Apesar das movimentações iniciais, o cenário ainda não está consolidado, e outras siglas podem lançar candidaturas próprias ao longo do processo eleitoral.

Eleição de governador-tampão quase ocorreu no Rio Grande do Norte

Um cenário parecido quase se concretizou no Rio Grande do Norte. A governadora Fátima Bezerra (PT) chegou a considerar a possibilidade de deixar o cargo para disputar uma vaga no Senado, enquanto o vice, Walter Alves (MDB), afirmou que não assumiria o Executivo, pois pretende concorrer ao cargo de deputado estadual.

Ainda em fevereiro, Fátima havia se colocado como pré-candidata ao Senado, indicando a intenção de disputar o cargo legislativo. A situação, no entanto, mudou em 17 de março, quando a governadora anunciou que permanecerá no cargo até o fim do mandato, em dezembro. A decisão foi confirmada em entrevista coletiva e também em uma carta divulgada nas redes sociais.

"Para viabilizar a candidatura ao Senado era necessário que o vice assumisse o governo, mas ele rompeu o compromisso firmado em 2022, atendendo a interesses de uma velha elite que nunca aceitou um RN governado pelo povo. São escolhas e motivações que o tempo há de esclarecer e que impediram de assumir a tarefa mais honrosa que um cidadão pode ter: governar o Estado", citou Fátima em carta nas redes sociais.

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Fátima Bezerra (PT) é a atual governadora do Rio Grande do Norte
Foto: Divulgação/PT

A decisão de não deixar o cargo ocorreu após uma série de movimentações políticas. Em janeiro, o vice-governador havia informado à governadora que não assumiria o governo caso ela optasse por renunciar para disputar o Senado. Na mesma ocasião, Walter também anunciou sua pré-candidatura a deputado estadual, cargo que exige desincompatibilização de pelo menos seis meses de antecedência, conforme regras do Tribunal Superior Eleitoral.

O distanciamento político entre os dois se intensificou, com a saída de secretários indicados pelo vice da administração estadual. Além disso, Walter declarou apoio à pré-candidatura de Allyson Bezerra (União Brasil) ao governo do estado em 2026, adversário do PT no cenário local.

Diante da possibilidade de renúncia tanto da governadora quanto do vice, a Assembleia Legislativa chegou a iniciar os trâmites para a eleição de um governador tampão. Com a decisão de Fátima de permanecer no cargo até o fim do mandato, a realização dessa eleição foi descartada.

Fonte: Portal Terra
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