Polícia Legislativa investiga ameaça de humorista a Nikolas Ferreira

Tiago Santineli pediu para que 'alguém desligasse' o deputado mineiro, fazendo referência a Charlie Kirk, assassinado nos Estados Unidos

6 jan 2026 - 18h42

A Polícia Legislativa Federal (PLF) da Câmara dos Deputados abriu uma investigação para apurar uma ameaça feita pelo humorista Tiago Santineli ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Em sua conta no X, Santineli pediu, nesta segunda-feira, 5, que "alguém desligasse" o parlamentar, em referência ao assassinato do influenciador trumpista Charlie Kirk, morto nos Estados Unidos em setembro do ano passado.

Poucas horas depois, Nikolas Ferreira ironizou a publicação. "Vem me pegar", escreveu. Em seguida, afirmou que havia sido instaurado um inquérito contra Santineli. "Só falta intimar o corajoso que fica fugindo da Justiça. Uma hora a casa cai", publicou o deputado.

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Na sequência, o humorista divulgou um print indicando que havia sido bloqueado por Nikolas na rede social. Santineli escreveu que o parlamentar "não aguentava" uma publicação dele "sem chorar".

Procurados, nem Tiago Santineli nem Nikolas Ferreira responderam à reportagem. O espaço segue aberto.

Líder da oposição na Câmara, o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) repudiou as ameaças e pediu a disponibilização de efetivo da Polícia Legislativa para garantir a integridade física de Nikolas Ferreira.

"Diante da gravidade dos fatos, esta Liderança agiu prontamente. Em contato direto com a Presidência da Câmara dos Deputados, já havia sido obtida a disponibilização de efetivo da Polícia Legislativa (Depol) para assegurar a integridade física do deputado Nikolas Ferreira e de sua família. Foi determinada a abertura de investigações para a instauração de inquérito policial, a fim de apurar a conduta do autor das ameaças, bem como de seus financiadores e incentivadores. Toda a estrutura jurídica e de segurança da Casa do Povo está mobilizada e à disposição dos parlamentares ameaçados", escreveu o deputado em sua conta no X.

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Intolerância política

Como mostrou o Estadão, Nikolas Ferreira liderou recentemente uma campanha nas redes sociais para que empresas privadas demitissem o que chamou de "funcionários extremistas". O assassinato de Charlie Kirk nos Estados Unidos desencadeou uma ofensiva virtual contra usuários que ironizaram ou debocharam da morte do ativista.

Entre os alvos de Nikolas Ferreira estavam o influenciador Felipe Neto, o ator José de Abreu, o jornalista e escritor Eduardo Bueno e o humorista Whindersson Nunes.

Admiradores de Kirk passaram a mapear críticos do influenciador com o objetivo de expô-los publicamente e pressionar pela demissão em seus locais de trabalho. A mobilização ocorre após anos de críticas de grupos conservadores à chamada "cultura do cancelamento", frequentemente associada à esquerda. O movimento ganhou força com a adesão de bolsonaristas e trumpistas, que passaram a levar as publicações consideradas ofensivas a autoridades do governo norte-americano.

Nikolas alvo de processos

O líder do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), afirmou nesta segunda-feira, 5, que irá apresentar uma representação à Polícia Federal contra Nikolas Ferreira, sob a acusação de incentivar uma intervenção militar dos Estados Unidos no Brasil.

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"Eles continuam com a tentativa de golpe, é um golpe continuado. Agora eles abertamente estimulam uma intervenção armada estrangeira dos Estados Unidos contra o Brasil", declarou Lindbergh em vídeo publicado no Instagram.

A fala do petista faz referência a uma publicação de Nikolas Ferreira no X que alcançou 7,3 milhões de visualizações. O post traz uma montagem que mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sendo segurado por dois militares norte-americanos, em uma cena que remete à imagem da prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro.

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