'PF trabalha sem viés político e sem perseguir ou proteger', diz diretor-geral da corporação

Declaração ocorre num momento de desgaste na relação do diretor da PF com o ministro do STF André Mendonça e de impacto das investigações contra o filho do presidente Lula na campanha eleitoral

28 ago 2026 - 13h38
Resumo
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, afirmou que a corporação atua com autonomia, rigor técnico e sem viés político, sem proteger ou perseguir ninguém. A declaração ocorre em meio a desgastes com o ministro André Mendonça, do STF, e a investigações sobre suposto tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula. Enquanto a PF defende sua imparcialidade, o presidente afirmou que não interferirá caso ilícitos sejam comprovados.

BRASÍLIA - O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, disse nesta sexta-feira, 28, que a corporação trabalha "livre de qualquer viés político" e não atua para perseguir ou proteger ninguém. A declaração ocorre num momento de desgaste na relação do diretor da PF com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e de impacto das investigações contra o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na campanha eleitoral.

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"Hoje temos uma polícia que atua com autonomia, guiada pela Constituição e pelas leis, pela responsabilidade institucional e compromisso com a justiça e a sociedade. Tenho total tranquilidade em afirmar, sem rodeios, que nesta gestão trabalhamos com transparência e foco na missão institucional, sem proteger ou perseguir, com atuação vigorosa e intransigente no combate ao crime organizado", afirmou Andrei, durante formatura do curso de formação de policiais da PF em Brasília.

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que a corporação trabalha 'livre de qualquer viés político' e não atua para perseguir ou proteger ninguém
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que a corporação trabalha 'livre de qualquer viés político' e não atua para perseguir ou proteger ninguém
Foto: José Cruz/Agência Brasil / Estadão

A declaração ocorre um dia depois de o presidente e candidato à reeleição afirmar, em entrevista à TV Globo, que investigações contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, são baseadas em ilações e que ele não vai proteger o filho, caso seja comprovado algum ilícito.

"A Polícia Federal está investigando e a Polícia Federal está vazando as coisas para a imprensa, e eu espero que aconteça o julgamento. Se tiver que vir prestar depoimento, ele (Fábio Luís) vai prestar depoimento, vai participar dos inquéritos. Se ele for culpado, pagará o preço. Se não for, ele será inocentado", disse Lula durante a sabatina.

Desde que a PF começou a investigar Lulinha em três inquéritos sobre suposto tráfico de influência em contratos no governo, o presidente tem adotado o tom de que o filho não será beneficiado nos inquéritos por ser filho dele. Ao mesmo tempo em que diz acreditar que o empresário é inocente, Lula tem afirmado que ele deve dar explicações para os policiais.

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O diretor-geral da PF reforçou que a corporação tem "atuação técnica, imparcial, livre de qualquer viés político" e que isso "é o que permite defender nossa instituição de qualquer ataque, não importa de onde venha".

Andrei enfrenta um desgaste pela condução da investigação contra Fabio Luís e Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. O principal foco de desgaste, nos bastidores, é na relação com o ministro André Mendonça, do STF. Entre as insatisfações, está a tentativa da PF de driblar a relatoria de Mendonça e distribuir novos inquéritos sobre Fábio Luís para sorteio geral na Corte, como mostrou a Coluna do Estadão.

Além de Andrei, também participaram da cerimônia o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César.

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