PF detectou 74 ligações e 5h30 de conversas entre Jaques Wagner e ex-sócio do Master

Dados estão contidos em relatório que embasou a operação Compliance Zero contra o senador e Augusto Lima Ferreira; defesa de Jaques Wagner ainda não se manifestou; na ocasião da operação, ele negou ter atuado em favor do banqueiro

30 jul 2026 - 22h24
(atualizado às 22h45)

BRASÍLIA E SÃO PAULO - Relatório das investigações da Polícia Federal que embasou a operação policial Compliance Zero contra o ex-líder do governo Jaques Wagner apontou a existência de 74 ligações entre o senador e o ex-sócio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima, também alvo das apurações. De acordo com os documentos tornados públicos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Wagner e Lima conversaram por cinco horas e trinta minutos nessas ligações.

Brasília (DF), 02/06/2025 - Senador Jaques Wagner participa do programa DR com Demori. Foto: Augusto Lima: Ex-CEO do Master. Crédito: Reprodução via Instagram/@flaviaperes.df
Brasília (DF), 02/06/2025 - Senador Jaques Wagner participa do programa DR com Demori. Foto: Augusto Lima: Ex-CEO do Master. Crédito: Reprodução via Instagram/@flaviaperes.df
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil / Estadão

A PF observa que o senador e o banqueiro tinham "nítida preferência" por conversas telefônicas, em vez de mensagens. E que eles chegavam a se falar várias vezes no mesmo dia. Os diálogos compreendem o período de novembro de 2023 a maio de 2025.

A defesa de Jaques Wagner ainda não se manifestou. Na ocasião da operação, ele negou ter atuado em favor do banqueiro.

Os documentos no processo mostram que Mendonça autorizou a PF a monitorar movimentos de celular de Jaques Wagner após a suspeita de vazamentos. O ministro citou que recebeu um pedido de audiência no seu gabinete no mesmo dia em que operação foi protocolada; defesa dele ainda não se manifestou.

A investigação da PF apura pagamentos de propina do Banco Master para Jaques Wagner e aponta que a compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões para o senador usou o mesmo esquema da aquisição de imóveis de propina para o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa. Além disso, a PF identificou que o dono do Master, Daniel Vorcaro, marcou encontro com Wagner no Senado, disponibilizou avião "em hangar discreto" para o senador e citou em um diálogo que o senador seria um intermediário para mandar recado a Lula.

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