Otaviano Pivetta (Republicanos) foi reeleito governador de Mato Grosso com 60,9% dos votos válidos. O produtor rural, que assumiu o mandato após a renúncia de Mauro Mendes em 2026, teve Gisela Simona como vice após a desistência de Fábio Garcia. Terceiro candidato mais rico do país, Pivetta venceu com foco em segurança pública, infraestrutura e desenvolvimento econômico, superando um histórico que inclui processos eleitorais anteriores e uma acusação de lesão corporal em 2021.
Otavio Pivetta (Republicanos) foi reeleito governador de Mato Grosso nesse domingo, 4. Com 90% dos votos apurados, ele contava com 60,9% da preferência e não pode mais ser alcançado. Enquanto candidato, Pivetta concentrou propostas na área da segurança pública, infraestrutura, e desenvolvimento econômico.
Pivetta foi vice-governador na chapa de Mauro Mendes em 2018 e assumiu o governo em março de 2026 quando o antigo colega de chapa renunciou para disputar o Senado. Ele é filiado ao Republicanos desde 2022.
A dois meses da eleição deste ano, no entanto, Pivetta perdeu o candidato a vice. O deputado federal Fábio Garcia desistiu da candidatura em meio a uma investigação sobre um suposto esquema de desvio de mais de R$ 308 milhões envolvendo um acordo entre o governo de Mato Grosso e a operadora Oi. Para substituí-lo na chapa, foi escolhida Gisela Simona (União).
A vitória neste ano já era indicada pelas pesquisas.
Produtor rural, ele declarou à Justiça um patrimônio de R$ 575,68 milhões e é o terceiro candidato mais rico do País. O valor representa aumento de cerca de 52% em relação aos R$ 378,9 milhões declarados por ele em 2022.
Durante a campanha, Pivetta apresentou propostas concentradas em segurança pública, proteção às mulheres, infraestrutura e desenvolvimento econômico. Entre elas estão a criação do Batalhão Rural, a ampliação do monitoramento das fronteiras com drones, novas unidades da Casa da Mulher Brasileira, expansão da Ferrovia Senador Vicente Vuolo e continuidade da duplicação da BR-163.
O plano também prevê investimentos na cadeia do etanol de milho e soja, criação de um polo têxtil, melhorias na infraestrutura energética do campo e manutenção de incentivos fiscais condicionados à geração de empregos. Na gestão pública, propõe integração de dados entre órgãos, equilíbrio fiscal e parcerias com os 142 municípios.
Trajetória política
Natural de Caiçara (RS), iniciou a carreira política em Lucas do Rio Verde, no norte do Mato Grosso. Eleito pela primeira vez em 2000, pelo PDS, voltou ao cargo em 2012, pelo PDT. Entre os dois mandatos municipais, Pivetta foi deputado estadual de Mato Grosso, em 2006 e, quatro anos depois, tornou-se vice-governador na chapa de Silval Barbosa (PDT).
Em 2016, quando buscava reeleição para a Prefeitura de Lucas do Rio Verde, o registro de sua candidatura foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) na véspera da eleição. A decisão ocorreu após o político ser incluído na lista de gestores com contar rejeitadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O caso envolvia um convênio de 2001 para a compra de uma unidade móvel de saúde e estava relacionada à Operação Sanguessuga.
Na época candidato pelo PSB, não disputou a eleição naquele ano. Em dezembro, a Segunda Seção do Tribunal Regional Federal da 1ª Região o absolveu na ação penal.
Caso de violência doméstica
Em 2021, quando era vice-governador, Pivetta foi indiciado pela Polícia Civil de Santa Catarina por suspeita de lesão corporal leve contra sua então companheira, Viviane Cristina Kawamoto. O caso ocorreu em julho daquele ano, em um apartamento em Itapema (SC).
O na época vice-governador negou as agressões. Ele foi preso em flagrante e liberado após pagar fiança de R$ 6,6 mil.