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Oposição discute ampliar atos e impulsionar impeachment

CPI da Covid, pandemia e entrega de novo documento à Câmara influenciam decisão sobre novas datas de manifestação

21 jun 2021 05h10
| atualizado às 07h27
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Organizadores dos atos contra o governo Bolsonaro esperam definir, até quarta-feira, 23, o modelo e datas de novas manifestações. Com o diagnóstico de ampliou-se a adesão aos protestos no último sábado, em relação à manifestação de maio, entidades e partidos da oposição discutem agora se devem ou não intensificar a mobilização, inclusive com ações que podem ir além das grandes passeatas.

Manifestantes pedem a saída do presidente Jair Bolsonaro
Foto: Roberto Sungi / Futura Press

Três fatores são considerados determinantes nos próximos passos do grupo: o avanço das investigações da CPI da Covid, o recrudescimento da pandemia e a data de entrega de um novo pedido de impeachment - desta vez assinado por diversos partidos e movimentos sociais.

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Chamado de "superpedido" de impeachment por alguns signatários, o documento deve reunir as acusações de crime que constam nos mais de cem pedidos já protocolados na Câmara contra Bolsonaro. A Associação Nacional de Juristas pela Democracia (ABJD), que se uniu a advogados de partidos da oposição no plano do impeachment unificado, sinalizou a lideranças que os estudos para o documento estão avançados e que o texto estará em condições de ser apresentado nas próximas semanas. Há cerca de dois meses, uma reunião para discutir o pedido de impeachment unificado contou com a presença tanto de lideranças da esquerda quanto os deputados Joice Hasselmann e Alexandre Frota (PSDB), dois dissidentes do PSL.

Organizadores da campanha nacional contra Bolsonaro devem se reunir nesta segunda-feira, 21, e na terça para discutir a realização de novos atos. No sábado, algumas lideranças políticas defenderam aumentar ainda mais a pressão nas ruas.

"É uma novidade: no calor das manifestações, se apresenta um pedido unificado (de impeachment), é um elemento que podemos discutir", disse o líder da Central de Movimentos Populares, Raimundo Bonfim. "Talvez o mais recomendado seja colar uma nova manifestação com a possível apresentação desse pedido, mas por enquanto essa é uma leitura pessoal."

Líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto, Guilherme Boulos (PSOL) está entre aqueles que defendem aumentar a pressão com mais atos de rua. "Eu espero que cresçam cada vez mais as mobilizações", disse Boulos no sábado, logo após seu discurso na manifestação. "Quando alguém no meio de uma pandemia decide ir para a rua, esse é um gesto extremo e expressa a compreensão de que com esse governo não dá, o Bolsonaro não nos deixou outra alternativa. Espero que a gente consiga viabilizar o impeachment ainda neste ano."

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Parte dos líderes também sugerem ampliar os atos contra Bolsonaro para novos tipos de protesto, como greves e paralisações pontuais em rodovias. Por enquanto, a ideia não tem apoio da maior parte dos organizadores. "A dúvida é saber se, às vezes, na próxima não é o caso de fazer uma paralisação, uma greve, trancamento de rodovia, intercalando para não ser só atos de sábado na Paulista", diz João Paulo Rodrigues, que integra a coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). "O que estamos avaliando junto às demais organizações é: quais são os tipos de luta que vão ajudar a acumular força?"

Coordenadores da campanha contra Bolsonaro tentam ampliar o espectro político das organizações que participam dos protestos, e rechaçam a interpretação de que as manifestações serviriam para reforçar a campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022. Desde o ato de 29 de maio, as reuniões de organização do grupo passaram a contar com representantes do Movimento Acredito, de renovação política e mais identificação com o centro. Segundo Bonfim, há também o desejo de que PDT e PSB, de centro-esquerda, participem mais ativamente da coordenação. Na manifestação do último sábado, um movimento da juventude do PT empunhava faixas que pediam "Volta Lula", enquanto as lideranças evitaram mencionar o ex-presidente no carro de som.

"Ficou claro que a presença dos partidos não significou um impedimento para as pessoas virem: eles estavam na primeira (manifestação) e agora vieram mais pessoas do que antes", opinou o presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Iago Montalvão, que também prega a adesão de mais organizações aos protestos.

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